Eleições 2026: saiba quem são os candidatos a vice na disputa pelo Governo do Pará
Chapas apresentam perfis distintos para a corrida eleitoral, e especialista explica como a escolha do vice pode influenciar alianças, representatividade regional e estratégia política
A disputa pelo Governo do Pará nas eleições de 2026 tem seis chapas com candidatos a vice-governador de diferentes perfis e trajetórias. Hana Ghassan (MDB) tem Dirceu Ten Caten (PT) como vice; Dr. Daniel Santos (Podemos) concorre com Ellayne D’Almeida (PL); Araceli Lemos (Psol) tem Fátima Santana (Psol); Gal Leite (UP) forma chapa com Karen Suellen (UP); Ruth Reis (Democrata) tem Márcia Carvalho (Democrata) como vice; e Well Macêdo (PSTU) concorre ao lado de Seu Alex (PSTU). Os nomes apresentam diferentes origens regionais, experiências profissionais e bandeiras políticas, enquanto a composição das chapas também revela estratégias eleitorais.
Embora o vice-governador tenha como atribuição constitucional principal substituir o titular em situações de ausência ou impedimento, a função pode ganhar maior relevância política e administrativa dependendo da relação estabelecida com o governador. Para a cientista política paraense Karol Cavalcante, doutora em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a escolha do vice durante uma eleição envolve uma combinação de fatores que vai além da simples composição da chapa.
“A escolha do vice nunca reflete um único critério e sim um conjunto de atributos que seja capaz de somar na estratégia da chapa”, afirma. Segundo a especialista, entre os elementos considerados estão a importância de um partido aliado, o tempo de televisão e os recursos eleitorais que a legenda pode agregar, a região de origem do candidato, características que possam compensar eventuais lacunas do titular e também o gênero.
Na prática, o vice-governador é o substituto direto do governador quando o titular está ausente ou impedido de exercer o cargo. Além disso, pode assumir funções de representação em eventos e atividades oficiais da administração estadual. De acordo com Karol Cavalcante, a atuação pode, entretanto, ser ampliada de acordo com a relação política e administrativa construída entre governador e vice.
“A função do vice é a de substituir o titular em caso de ausência. No geral, resume-se a um papel de representação em eventos e atividades oficiais da administração pública em que o titular não possa estar presente”, explica. Ela destaca que o espaço ocupado pelo vice dentro de uma gestão depende diretamente da relação com o governador. Em alguns casos, a parceria pode resultar em participação administrativa ou política mais ampla. Em outros, o vice pode ter atuação mais restrita.
A relação também pode ter efeitos sobre o futuro político do vice. De acordo com a cientista política, quando a parceria construída durante a eleição permanece durante o mandato, a visibilidade adquirida pode contribuir para uma eventual sucessão estadual: “Nem sempre as parcerias estabelecidas no processo eleitoral se estendem à gestão. Mas, quando se estende, a visibilidade do vice pode, inclusive, projetá-lo para uma sucessão estadual”.
Peso regional
Em um estado de dimensões territoriais como o Pará, a origem e a atuação regional do candidato a vice podem ter peso estratégico na formação de uma chapa. Para Karol Cavalcante, o vice pode funcionar como uma espécie de ponte entre o candidato ao governo e determinadas regiões do estado, especialmente quando possui trajetória política ou reconhecimento local: “O Pará é um estado de dimensões territoriais robustas, então contemplar regiões estratégicas é importante para que os eleitores dessas regiões se sintam representados”.
Ela explica que um candidato a vice com atuação regional consolidada pode facilitar a entrada do candidato ao governo em determinados colégios eleitorais; “Neste cenário, o vice atua como um passaporte para o candidato a governador entrar em colégios eleitorais onde, sozinho, ele seria um desconhecido ou teria alta rejeição”. Para a especialista, isso pode representar uma transferência de confiança local para o candidato ao governo.
Apesar disso, a influência do vice sobre o resultado eleitoral não é automática. Karol destaca que o sistema político brasileiro é marcado pelo personalismo e que, em geral, o eleitor não define seu voto a partir do candidato a vice. “Na prática, vice não ganha eleição”, resume. Ela ressalta, porém, que o perfil escolhido pode influenciar positiva ou negativamente a chapa, especialmente quando atende a critérios estratégicos de composição.
Dirceu Ten Caten (PT)
Dirceu Ten Caten, do Partido dos Trabalhadores (PT), é candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Hana Ghassan Tuma, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). É casado. Natural de Marabá, no sudeste do Pará, ele tem 36 anos, é advogado e possui ensino superior completo. De acordo com os dados registrados no DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentados no documento, Dirceu integra a coligação “O Pará Tá Junto”, formada por Republicanos, MDB, PSB, PSD, Avante, Federação PSDB/Cidadania, Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) e Federação União Progressista (União/PP).
Ao ser questionado pela reportagem sobre “quais são os seus principais objetivos durante a sua atuação como vice-governador”, pergunta que também foi feita aos demais candidatos, Dirceu afirma que pretende atuar ao lado de Hana Ghassan na administração estadual, com atenção especial aos municípios e às comunidades. “Ser vice-governador, para mim, é somar. É estar junto dela nas decisões, mas também estar perto dos municípios, das comunidades e das pessoas”, declarou.
O candidato também cita entre suas prioridades educação, geração de oportunidades para o primeiro emprego, saúde, infraestrutura, segurança e políticas sociais. Dirceu afirma ainda que pretende utilizar a experiência adquirida durante seus três mandatos como deputado estadual para transformar demandas regionais em ações do governo. “Meu objetivo é ajudar a construir um governo presente, que escute, dialogue e, acima de tudo, entregue resultados para a população”, afirmou.
Ellayne D’Almeida (PL)
Ellayne Cristina Gurgel de Almeida, do Partido Liberal (PL), é candidata a vice na chapa de Dr. Daniel Santos (Podemos). Natural de Itaituba, no oeste do Pará, tem 40 anos, é engenheira, possui ensino superior completo e é solteira. Segundo os dados do TSE fornecidos no documento, a chapa integra a coligação “O Pará é do Povo!”, formada por Podemos, PL, DC, Novo e Federação Renovação Solidária (PRD/Solidariedade).
Em sua declaração à reportagem, Ellayne destaca a intenção de manter uma atuação próxima da população, especialmente dos moradores do interior. “Serei uma vice-governadora presente. Estarei perto das pessoas, ouvindo, acompanhando os problemas de cada região e buscando soluções que funcionem de verdade”, afirmou.
Ela cita problemas relacionados ao deslocamento para atendimento médico, condições das estradas, acesso à água, emprego e educação. A candidata também afirma que pretende dar atenção especial às mulheres paraenses, com políticas voltadas à proteção, autonomia, oportunidades e participação nas decisões. “Tenho um compromisso especial com as mulheres paraenses”, declarou.
Fátima Santana (Psol)
Maria de Fátima Santana da Silva, do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), é candidata a vice-governadora na chapa de Araceli Lemos, também do Psol. Natural de Belém, tem 63 anos, é professora de ensino superior e possui formação superior completa. De acordo com os dados apresentados no documento, Fátima é preta, solteira e integra a Federação Psol/Rede.
A candidata apresenta uma plataforma centrada em direitos sociais e trabalhistas, serviços públicos, saúde, proteção às mulheres, igualdade racial, inclusão e meio ambiente. Entre as propostas citadas por ela estão a criação de um salário mínimo regional de R$ 2.200, a adoção da jornada 5x2 para trabalhadores terceirizados do Estado e a busca pela tarifa zero no transporte coletivo.
Fátima também defende a revisão da privatização da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) e o fortalecimento da empresa pública. Na saúde, afirma que a chapa pretende estabelecer prazo de até 60 dias para exames, ampliar o tratamento de câncer e outras doenças crônicas no interior e trabalhar para reduzir a mortalidade materno-infantil.
Na área social, cita a criação do programa Vida Mais 60, com Centros de Referência Integral à Pessoa Idosa em todas as regiões. A candidata também defende delegacias da mulher com funcionamento 24 horas em todos os municípios e a criação de uma Secretaria de Igualdade Racial. No meio ambiente, afirma que uma eventual gestão teria “tolerância zero com o desmatamento” e combateria o garimpo ilegal.
Karen Suellen (UP)
Karen Suellen Lobato de Sousa, da Unidade Popular (UP), é candidata a vice na chapa de Gal Leite, também da UP. Nascida em Macapá, no Amapá, tem 32 anos, é estudante, bolsista, estagiária e possui ensino médio completo. Segundo o DivulgaCandContas, Karen é parda e casada. A candidatura integra uma chapa de partido isolado, sem coligação. Entre as principais bandeiras apresentadas pela candidata está o enfrentamento às privatizações e terceirizações de serviços públicos.
Karen defende a reestatização da Cosanpa, com investimentos para ampliar o acesso ao saneamento e à água, além da retomada da gestão pública de hospitais terceirizados para organizações sociais. Na área de proteção às mulheres, cita a construção e o fortalecimento de casas-abrigo, políticas de empregabilidade, ações de enfrentamento à violência de gênero e ampliação das delegacias especializadas com atendimento 24 horas.
Na educação, defende o fortalecimento da Universidade do Estado do Pará (Uepa), com uma proposta de autonomia financeira e destinação de 5% do orçamento estadual para a instituição. A candidata também menciona a criação de restaurantes universitários em todos os campi, eleições diretas para diretores de escolas e concursos públicos para diferentes categorias profissionais.
Márcia Carvalho (Democrata)
Márcia Carvalho, do Democrata, é candidata a vice-governadora na chapa de Ruth Reis, também do Democrata. Até o fechamento das informações utilizadas para a reportagem, os dados de Márcia não estavam disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral. Na resposta encaminhada à reportagem, porém, ela apresenta como principal motivação para entrar na vida pública a intenção de ampliar o alcance das políticas públicas para a população.
Entre as áreas destacadas estão saneamento, saúde, educação, segurança, infraestrutura e geração de oportunidades. Márcia afirma ter preocupação especial com as periferias e cita problemas como ruas alagadas, esgoto a céu aberto, bueiros abertos e ausência de serviços públicos essenciais. “Quero defender uma gestão pública eficiente, transparente e responsável, com respeito ao dinheiro público e compromisso com resultados”, afirmou.
Ela também defende ações para estimular o empreendedorismo, geração de emprego, renda e educação profissional. Na saúde e na educação, a candidata afirma que pretende defender serviços públicos de qualidade. Na segurança, destaca a proteção das famílias e a valorização dos profissionais que atuam na área. “Não quero entrar na política apenas para ocupar um espaço. Quero ajudar a mudar uma realidade que me incomoda há muitos anos”, declarou.
Seu Alex (PSTU)
Seu Alex, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), é candidato a vice-governador na chapa de Well Macêdo, também do PSTU. Natural de Belém, tem 61 anos e trabalha na construção civil, além de atuar como dirigente sindical. De acordo com os dados apresentados no site do TSE, ele possui ensino fundamental incompleto, é preto e solteiro. Sua identidade de gênero está registrada como transgênero. A candidatura é de partido isolado, sem coligação.
Em sua declaração, Seu Alex afirma que pretende representar trabalhadores e diferentes segmentos da população dentro de um eventual governo. “Como vice-governador, meu principal objetivo será ser uma voz permanente da classe trabalhadora dentro do governo”, afirmou. Entre suas prioridades estão a geração de empregos por meio de obras públicas, o enfrentamento do déficit habitacional, melhorias no saneamento e investimentos em infraestrutura.
Ele também defende o fortalecimento dos serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde e educação. A própria trajetória profissional aparece como um dos elementos centrais de sua apresentação. Segundo ele, a experiência como trabalhador da construção civil permitiu conhecer de perto problemas como desemprego, precarização e falta de oportunidades. Seu Alex também afirma que sua candidatura representa uma defesa de direitos da população trans e de maior participação de trabalhadores trans nos espaços de representação política.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA