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TRT-8 mapeia a realidade do trabalho infantil no Pará a partir de relatos em sala de aula

Ao todo, a pesquisa já alcançou mais de 50 mil alunos em nove municípios do estado

Da redação

Mais de 10 mil estudantes de escolas municipais e estaduais de Bujaru e Concórdia do Pará participaram, na última semana, da Pesquisa Sobre o Trabalho Infantil realizada pela Comissão de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem (Cetiea) do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8). A iniciativa busca mapear a realidade do trabalho infantil nos municípios paraenses a partir do relato de crianças e adolescentes dentro das salas de aula.

Aplicada em escolas das zonas urbana e rural, a pesquisa começou em abril de 2025 e já alcançou mais de 50 mil alunos em nove municípios do estado. A expectativa é encerrar o primeiro semestre com levantamentos concluídos em 12 cidades, incluindo municípios da Região Metropolitana de Belém.

Segundo a juíza do trabalho Vanilza Malcher, gestora regional do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem do TRT-8, o principal diferencial do projeto é ouvir diretamente os estudantes, sem intermediários.

“Estamos entrando nas salas de aula, explicando aos alunos o objetivo da pesquisa e ouvindo o que eles têm a dizer, sem filtros”, afirmou a magistrada.

Durante a passagem por Bujaru, uma carta escrita por um estudante emocionou a equipe responsável pela pesquisa. “O trabalho infantil tira o tempo da gente ser criança. Mas a escola devolve esse tempo pra gente. Obrigado por vir nos proteger”, escreveu o aluno. Segundo Vanilza Malcher, o estudante leu a mensagem pessoalmente para ela.

A aplicação dos questionários conta com apoio de universidades parceiras. Em Bujaru e Concórdia do Pará, cerca de 150 universitários e professores participaram da coleta de informações. Após essa etapa, os próprios acadêmicos realizam a tabulação dos dados, cujo resultado deve ser concluído em até 40 dias.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2024), apontam que o Pará possui aproximadamente 144 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. Desse total, 34% estão inseridos nas chamadas piores formas de trabalho infantil, índice que coloca o estado na primeira posição da Região Norte.

Com apoio técnico do Dieese, o levantamento realizado pelo TRT-8 pretende identificar em quais contextos o trabalho infantil ocorre em cada município e como essas situações se manifestam, contribuindo para a elaboração de políticas públicas mais direcionadas.

Após a conclusão dos levantamentos, os resultados são apresentados às prefeituras, secretarias municipais, gestores escolares, universidades e representantes do Legislativo local, auxiliando no planejamento de ações voltadas à proteção de crianças e adolescentes.

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