'The Economist' diz que STF está envolvido em 'enorme escândalo'
A publicação destaca as ligações de dois membros do STF com o Master
A revista britânica The Economist afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) está envolvido em um "enorme escândalo". O texto relata a investigação das fraudes financeiras do Banco Master e o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro com ministros da Corte.
"Mesmo defendendo a democracia, o tribunal tem se mostrado mais intransigente", diz a revista. Ela aponta que o STF interpreta críticas a seus membros como um ataque à própria democracia, fazendo referência ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A publicação destaca as ligações de dois membros do STF com o Banco Master: os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A revista aponta que "Os problemas começaram desde o início".
As ligações de Dias Toffoli
Toffoli, inicialmente designado relator da investigação do Banco Master no Supremo, viajou em jatinho particular com Augusto Arruda Botelho, advogado que presta serviços a membros do banco.
A revista salienta a participação do ministro em negócios com o banqueiro. Toffoli é sócio anônimo da Maridt, empresa dirigida por dois irmãos dele, que detinha participação em dois resorts da rede Tayayá.
A Maridt vendeu sua fatia no negócio de hospedagem no Paraná a um fundo de investimento. Este fundo tinha como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.
Quando as conexões vieram à tona, Toffoli pediu para deixar a relatoria do inquérito que apura as irregularidades do Master no STF.
O envolvimento de Alexandre de Moraes
O texto da The Economist cita ainda que Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, teve seu escritório de advocacia contratado para prestar serviços ao Banco Master.
O acordo previa pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões por 36 meses. O valor total poderia chegar a R$ 129 milhões ao longo de três anos.
STF e a percepção pública
O Supremo abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades e vazamentos de dados da Receita Federal de ministros da Corte e de seus familiares. O STF afirmou em nota que a investigação foi iniciada como um desdobramento do inquérito das fake news, do qual Moraes é relator.
"Alguns membros do tribunal parecem acreditar que têm um problema, pelo menos com a percepção pública", diz o texto. A revista aponta que isso é importante porque candidatos de direita podem ampliar sua presença no Congresso Nacional nesta eleição.
Parte desses candidatos usa como bandeira a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF. Para tentar melhorar a imagem da instituição, o presidente do Supremo, Edson Fachin, propôs a adoção de um código de conduta para os membros do tribunal.
Em entrevista exclusiva ao Estadão, o ministro afirmou que é uma "medida de defesa" da Corte. Contudo, Toffoli e Moraes reagiram imediatamente.
Ambos afirmam nunca terem julgado um caso com conflito de interesses e que a adoção de um código de ética é desnecessária. A The Economist conclui que, "Independentemente de suas crenças, seus inimigos no Congresso estão de olho", em referência a declarações dos ministros em sessão da Corte.
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