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Testemunha disse que Lulinha recebia mesada de R$ 300 mil do 'Careca do INSS', diz Carlos Viana

Presidente da CPMI do INSS afirmou que não pode acusar 'Lulinha' de ter recebido dinheiro do esquema de desvios das aposentadorias, apesar dos relatos da testemunha

Estadão Conteúdo

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), declarou que não pode acusar Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de desvios. Entretanto, Viana ressaltou que uma testemunha mencionou que Lulinha recebia uma mesada de R$ 300 mil. O valor teria sido pago pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", apontado como principal operador das fraudes.

"O governo blindou e nos impediu de quebrar o sigilo fiscal dele", disse Viana, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. A quebra dos sigilos de Lulinha havia sido aprovada pela CPMI do INSS. No entanto, a decisão foi derrubada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em outra frente, Carlos Viana também abordou o caso do banqueiro Daniel Vorcaro. Ele afirmou que o telefone para o qual Vorcaro enviou uma mensagem, que teria como destino o ministro Alexandre de Moraes, do STF, é uma linha funcional da própria Corte.

Investigações sobre Daniel Vorcaro

Viana disse que pedirá esclarecimentos ao STF sobre quem estava em posse da linha funcional na ocasião. A mensagem de Vorcaro, enviada em 17 de novembro, horas antes de sua primeira prisão, continha a frase "conseguiu bloquear?".

O senador criticou a situação: "Em um país sério, Moraes seria afastado, assim como os parlamentares citados". Ele ponderou, contudo, que a presença do nome do ministro na lista de contatos do celular de Vorcaro não é um problema, explicando que o banqueiro montou uma vasta rede de influência.

O nome de Viana também aparece entre os contatos de Vorcaro. Contudo, o senador afirmou que não conhecia o banqueiro antes do surgimento do escândalo. Ele expressou o desejo de que Vorcaro feche um acordo de delação premiada.

Viana manifestou sua crença de que o ministro André Mendonça, do STF, homologaria a colaboração, mesmo que outros ministros da Corte fossem citados no processo.