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Senadores paraenses avaliam prioridades do primeiro semestre do ano legislativo 2026

Com calendário encurtado pelas eleições, senadores do Pará priorizam liberação de recursos e projetos de impacto econômico

Fabyo Cruz

O Senado Federal deu início ao ano legislativo de 2026 nesta segunda-feira (2/2), com sessão solene que marcou a abertura da quarta e última sessão legislativa da 57ª Legislatura. A retomada dos trabalhos ocorre em um ano marcado pelo calendário eleitoral, que reduz o tempo disponível para votações, e impõe à bancada paraense o desafio de concentrar esforços em projetos considerados estratégicos para a economia do estado e na liberação de recursos federais.

A cerimônia de abertura reuniu senadores e deputados federais em sessão conjunta do Congresso Nacional, além de representantes dos Poderes Executivo e Judiciário. No Senado, a expectativa é de que o primeiro semestre concentre a maior parte das votações relevantes, antes do período de desincompatibilização eleitoral.

Para o senador Beto Faro (PT), a atuação da bancada paraense em 2026 seguirá focada na garantia de recursos federais e na continuidade de políticas públicas com impacto direto nos municípios. Para ele, áreas como infraestrutura, habitação, crédito agrícola e pesca permanecem como prioridades. “O governo federal continuará tratando o Pará com atenção. Nós estamos trabalhando para garantir investimentos em obras, programas sociais e políticas que impactam diretamente a economia local”, afirmou o senador.

Beto Faro destacou que a bancada do Pará atua de forma conjunta, apesar das divergências partidárias, especialmente na defesa de recursos para o estado. Um dos principais instrumentos para isso, segundo ele, são as emendas parlamentares, que devem ser indicadas e liberadas ainda no primeiro semestre. “As emendas parlamentares continuam sendo fundamentais. Os prefeitos sabem que podem contar com a bancada para levar recursos para áreas como saúde, infraestrutura, turismo e desenvolvimento local”, disse.

Entre os temas defendidos pelo senador petista está o seguro-defeso, política voltada aos pescadores artesanais durante o período de reprodução dos peixes. Beto Faro afirmou que será relator da medida provisória que trata do programa, destacando o impacto da política no Pará.

“O seguro-defeso mexe com cerca de 180 mil famílias no Pará. Para alguns estados isso não é tão significativo, mas para nós é muito. Os pescadores são uma das maiores categorias do estado, e esse investimento tem impacto direto na economia local”, ressaltou. Ele destaca que além de garantir renda, o programa movimenta o comércio e os serviços em dezenas de municípios, especialmente no interior e nas regiões ribeirinhas.

O senador Zequinha Marinho (Podemos) avaliou que o início do ano legislativo deve ser marcado pela defesa das demandas sociais da população paraense. Segundo ele, a atuação no Senado tem priorizado a ampliação do volume de emendas destinadas ao estado. “As carências da população paraense permanecem. Injetar recursos apenas em momentos específicos não resolve os problemas estruturais de mais de 8 milhões de cidadãos”, afirmou.

De acordo com Zequinha, já foram destinados R$ 851,6 milhões em emendas parlamentares ao Pará, sendo R$ 464 milhões voltados para o atendimento na área da saúde. Além disso, o senador destacou investimentos em programas sociais, com foco na capacitação profissional de mulheres em situação de vulnerabilidade e em ações de lazer e cidadania para crianças e adolescentes.

Na avaliação de Zequinha Marinho, o calendário legislativo reduzido pelas eleições exige a definição clara de prioridades até junho. Entre os temas de maior impacto econômico, ele aponta o Acordo Mercosul–União Europeia, que segue em debate no Congresso. “A União Europeia é o segundo maior mercado das exportações paraenses. Com a entrada em vigor do acordo, teremos condições de consolidar essa relação e diversificar a pauta de exportações”, afirmou.

O senador também destacou que a redução de tarifas para bens de capital pode contribuir para a modernização do parque industrial do Pará. “Com a queda de custos para aquisição de tecnologia europeia, a indústria paraense pode ganhar eficiência e reduzir custos de produção”, avaliou.