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Resíduos entram na agenda central da descarbonização na COP 30

Abrema defende transformação de lixões em ativos energéticos e articula projetos de biometano e economia circular no Pará

Maycon Marte

A participação da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) consolidou a gestão de resíduos sólidos como peça-chave na estratégia brasileira de descarbonização da economia. Segundo o presidente da associação, Pedro Maranhão, em entrevista ao Grupo Liberal, o foco das discussões foi transformar o passivo ambiental dos lixões em ativos energéticos renováveis. Durante o evento, foram firmados compromissos entre prefeitos de grandes capitais e o setor privado para a substituição de frotas de limpeza urbana movidas a diesel por veículos operados com biometano, combustível gerado a partir da captura do gás metano em aterros sanitários.

O impacto ambiental dessa transição é direto: o metano é um gás 28 vezes mais poluente que outros gases de efeito estufa, e sua transformação em combustível renovável contribui para o cumprimento das metas do Acordo de Paris. No Pará, essa visão já está sendo aplicada no planejamento dos novos aterros sanitários que atenderão Belém e a Região Metropolitana. Esses empreendimentos estão sendo projetados não apenas como locais de descarte, mas como verdadeiras indústrias de engenharia, capazes de produzir biogás, biometano, adubo via compostagem e Combustível Derivado de Resíduos (CDR) para indústrias.

Para que essa mudança ocorra de forma estruturada, a BREMA iniciou uma articulação técnica e política com atores locais, incluindo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), o Ministério Público do Pará (MPPA) e o Tribunal de Contas do Estado do Pará (TCE-PA). A estratégia envolve um estudo de logística detalhado para mapear a viabilidade econômica de cada município e a implementação de estações de transbordo onde o transporte direto não for viável. Além do viés tecnológico, o plano inclui o "encerramento humanizado" dos lixões, prevendo a recuperação de áreas degradadas (PRAD) e a inclusão social de catadores em cooperativas organizadas, garantindo que a modernização do setor seja sustentável nos âmbitos econômico, ambiental e social.