Pré-candidata ao Senado, Michelle diz que renuncia a 'qualquer coisa' para cuidar de Bolsonaro
A condição de saúde elevou a pressão sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes
Pré-candidata ao Senado pelo Partido Liberal, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 27, que renuncia "a qualquer coisa" para cuidar do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele está de volta em casa após ter alta hospitalar e a prisão domiciliar concedida pela Suprema Corte.
Bolsonaro ficou duas semanas internado no DF Star, em Brasília, com um quadro de broncopneumonia, depois de passar mal em sua cela na penitenciária da Papudinha. Ele teve alta nesta manhã.
A condição de saúde elevou a pressão sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que resolveu conceder a domiciliar por 90 dias para que o ex-presidente se trate em casa. Bolsonaro volta para o condomínio onde mora com Michelle, o Solar de Brasília.
O ex-presidente cumpre uma pena de 27 anos e três meses de prisão após ser condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa, entre outros crimes, para se manter no poder a partir da derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022.
"Atividade política zero por enquanto. Estou ainda de licença, estou aqui para cuidar dele. A minha prioridade sempre vai ser o meu marido e as minhas filhas. Se eu tiver que renunciar qualquer coisa pela minha família, eu renuncio. Creio que ele (Bolsonaro) não vai tratar de política. Vamos viver um dia de cada vez", declarou Michelle numa coletiva de imprensa em frente ao condomínio, nesta tarde.
Michelle é pré-candidata ao Senado no Distrito Federal ao lado da deputada federal Bia Kicis, ambas pelo PL. Elas defendem a vice-governadora Celina Leão (PP) para suceder o atual governador, Ibaneis Rocha (MDB).
Mais cedo, durante um evento nos Estados Unidos, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi questionado sobre o racha na família após o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) ser escolhido pré-candidato à Presidência da República em detrimento de Michelle. Ele afirmou que a decisão não tinha que passar pela enteada, e comparou o PL, partido a que toda a família está filiada, a uma organização militar.
"Em governo é assim, todo mundo fica chateado (com alguma decisão). Um partido é uma hierarquia. Tem que ter general, coronel, a tropa ali embaixo", disse Eduardo em entrevista ao UOL.
Nova rotina de Bolsonaro
Michelle afirmou comemorar as "pequenas vitórias" ao ter o marido em casa novamente, e que o ex-presidente precisará de uma rotina de fisioterapia e alimentação adequada, diante dos problemas de saúde.
A preocupação de Michelle, segundo relatos feitos ao Estadão, é que os remédios tomados por Bolsonaro para conter os soluços levam a um sono pesado que o impede de acordar com o refluxo gástrico. E que ela costumava acordar durante a noite para colocá-lo de lado na cama, evitando a broncoaspiração.
"Não tem nada a ver com a alimentação ele ter broncoaspirado. É justamente porque ele tem esse quadro de refluxo. Ele tinha tomado um caldo superleve na noite anterior. Ele precisa de um auxílio. Ele não pode ficar em decúbito. Ele deve ter achado uma zona de conforto e acabou ficando reto, e aí teve essa broncoaspiração de uma quantidade grande de líquido", disse ela.
Michelle disse não ver problemas na restrição a visitas imposta por Moraes, com exceção da família, advogados e médicos. Como mostrou o Estadão, aliados de Bolsonaro avaliam que o período de 90 dias sem falar com o ex-presidente foi feita por Moraes para prejudicar as articulações eleitorais do PL.
O médico Brasil Caiado, da equipe médica do DF Star, afirmou que Bolsonaro deixou a unidade pouco antes das 10h e foi para a residência dele. Por volta de 10h30, Bolsonaro desceu de uma caminhonete branca, que foi estacionada em frente à casa, com um colete à prova de balas da Polícia Militar.
"A pneumonia tem fases. Não podemos dizer que está curado. Encerrou-se a fase hospitalar. Continua-se o tratamento de forma diferente, com fisioterapia respiratória e motora e reabilitação cardiopulmonar em casa. Há uma previsão de novo controle com tomografia em quatro semanas", disse o médico.
"A evolução nesses últimos dois dias foi o que nós esperávamos, tranquila, sem nenhuma intercorrência, com a medicação totalmente adaptada, já com a transição para a medicação via oral, para ser usada em casa", disse Caiado.
"Normalmente nessas infecções agudas, com característica grave, a fase inicial do tratamento gera muita apreensão. Nós, médicos, muitas vezes, não sabemos o desenrolar e como vai ser a progressão da doença. Mas, felizmente, ocorreu dentro do previsto. A primeira semana mais delicada, com a resposta ao medicamento e a resposta imunológica do corpo dele. Ficamos um pouco apreensivos, mas sempre otimistas. Na segunda semana, ele evoluiu de forma satisfatória, com melhora progressiva, tanto do ponto de vista laboratorial quanto do clínico e de imagem", explicou.
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