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Paraense está entre ativistas de nova flotilha interceptada por Israel

Natural de Belém, ativista Beatriz Moreira integrava missão humanitária rumo a Gaza quando embarcações foram interceptadas por forças israelenses em águas internacionais

Fabyo Cruz

A ativista paraense Beatriz Moreira de Oliveira está entre os brasileiros interceptados na manhã desta segunda-feira (18) durante uma missão internacional de ajuda humanitária com destino à Faixa de Gaza. Natural de Belém, Beatriz integra o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimiento de Afectados por Represas (MAR), representando o Brasil na Flotilha Global Sumud, iniciativa formada por ativistas, médicos e defensores de direitos humanos de diversos países.

Segundo os organizadores da missão, embarcações civis da flotilha foram cercadas por forças israelenses em águas internacionais do Mediterrâneo, próximas à ilha de Chipre, enquanto tentavam romper o bloqueio imposto por Israel ao território palestino e entregar alimentos, medicamentos e outros insumos humanitários à população de Gaza.

Antes da interceptação, Beatriz publicou um vídeo nas redes sociais alertando para o risco de ataques à missão. Na gravação, ela afirmou que a flotilha era uma iniciativa “não violenta” e acusou o governo israelense de tentar criminalizar os participantes.

“Estamos exercendo nossos direitos para a liberdade de navegação e passagem humanitária. Nosso objetivo é romper o bloqueio imposto sobre a Palestina”, declarou.

Horas depois, um novo vídeo foi divulgado pelas organizações das quais Beatriz faz parte. Na gravação, ela afirma ter sido interceptada “ilegalmente” pelo Exército israelense enquanto navegava em águas internacionais. A ativista também pediu mobilização internacional e cobrou atuação do governo brasileiro.

“Eu exijo e peço que você também exija a minha liberação e a liberação de toda a minha tripulação. Peça ao Itamaraty, ao governo federal”, disse.

A reportagem conversou com a militante do MAB Anna Mathis, que afirmou que não houve mais contato com Beatriz após a interceptação das embarcações.

“Ela foi sequestrada essa manhã. O barco em que ela estava foi interceptado e não sabemos para onde ela será levada. Não tivemos mais contato com ela. O celular que ela estava usando está sem comunicação e o barco também”, relatou.

Além de Beatriz, outros três brasileiros participavam da missão: Ariadne Teles, coordenadora da Global Sumud Brasil; Thainara Rogério; e o médico pediatra Cássio Guedes Pelegrini Júnior.

Ainda de acordo com informações divulgadas pela própria missão, veículos da imprensa israelense afirmaram que os ativistas interceptados poderão ser levados inicialmente para uma prisão flutuante antes de serem transferidos ao porto de Ashdod, em Israel.

Deputada se manifesta

A interceptação provocou reações políticas. A deputada estadual Lívia Duarte, do Psol do Pará, classificou a ação israelense como “sequestro” e pediu atuação urgente do governo federal para garantir a libertação dos brasileiros.

“Levando comida, medicamentos e insumos para Gaza, a paraense Beatriz Moreira e mais três brasileiros foram sequestrados pelo Exército israelense enquanto navegavam na Global Sumud Flotilla”, publicou a parlamentar nas redes sociais.

Ela também cobrou providências do Ministério das Relações Exteriores. “É urgente que o Itamaraty faça as tratativas necessárias para a libertação dos reféns e para a deportação urgente e segura dos brasileiros que participam da missão”, escreveu.

Israel confirma interceptação

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou a interceptação da flotilha neste mesmo dia. Em comunicado divulgado pelo gabinete do governo israelense, Netanyahu afirmou que as forças navais impediram uma tentativa de romper o bloqueio imposto à Faixa de Gaza, que Israel justifica como medida de segurança contra o grupo Hamas.

Já os organizadores da Flotilha Global Sumud afirmam que a operação representa violação do direito marítimo internacional e denunciam perseguição contra missões civis de solidariedade à população palestina.

A Redação Integrada de O Liberal solicitou posicionamento do Itamaraty sobre o caso e aguarda retorno.