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Mulher de Moraes representa Banco Master em investigação relatada por Dias Toffoli no STF

O caso passou a tramitar no STF após a Justiça Federal em São Paulo declinar da competência e remeter a investigação à Corte

Redação O Liberal com informações da AE

A advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, representa o Banco Master em um processo que investiga o empresário Nelson Tanure. O caso apura crimes contra o mercado de capitais e tramita sob sigilo no STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

O inquérito foi remetido à Corte após a Justiça Federal em São Paulo declinar da competência. A juíza Maria Isabel do Prado identificou conexão com fatos apurados na Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que investiga fraudes atribuídas ao Banco Master.

A Operação Compliance Zero tramita no Supremo também sob a relatoria de Toffoli. Segundo a magistrada, havia elementos que indicavam a existência de vínculo entre as apurações, justificando a remessa do caso ao STF por prevenção.

O que o processo investiga

O inquérito apura se Nelson Tanure utilizou informações relevantes ainda não divulgadas para obter vantagem na negociação de ações da Gafisa. Esta prática é conhecida como insider trading, um crime contra o mercado de capitais.

Embora o Banco Master não seja alvo direto da investigação, a instituição figura como parte interessada. A apuração analisa a atuação de fundos ligados ao banco nas operações sob suspeita.

Neste processo, Viviane Barci de Moraes acompanha o caso como representante legal do banco. O escritório Barci de Moraes Advogados, procurado pela reportagem, não respondeu aos questionamentos, e o espaço segue aberto para manifestação.

Conexões e desdobramentos

O advogado Pablo Naves Testoni, que defende Tanure, afirmou que o Ministério Público Federal citou o Banco Master ao apresentar a denúncia. Mesmo que de forma genérica, essa menção abriu a necessidade de resolução sobre eventual conexão probatória.

A defesa do empresário acrescentou que essa análise precisa agora ser enfrentada por exigência legal. Tanure teve o patrimônio bloqueado por Toffoli em 6 de janeiro, com indícios de beneficiário em esquema de fraudes para desviar recursos.

Os investigadores citam Tanure como suposto "sócio oculto" do Banco Master. Ele foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, cujo controlador, Daniel Vorcaro, também é investigado.

A defesa do empresário afirma que Tanure "jamais estabeleceu qualquer relação de natureza societária com o Banco Master". Segundo ela, ele foi cliente, como em outras instituições financeiras.

Envolvimento da família Moraes

Caso o inquérito avance no STF e seja levado a julgamento no plenário, o ministro Alexandre de Moraes poderá votar na análise do caso, apesar do envolvimento de sua esposa.

A atuação do escritório de advocacia da qual Viviane Barci de Moraes e os dois filhos do ministro são sócios foi alvo de questionamentos. Isso ocorreu após a revelação de um contrato de R$ 129 milhões firmado com o Banco Master.

Um levantamento do Estadão/Broadcast mostrou que a atuação de Viviane Barci de Moraes no STF e no STJ intensificou-se. Após a posse de Alexandre de Moraes no Supremo, o número de processos sob sua participação saltou de 27 para 152.