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MP Eleitoral e CNBB Norte 2 lançam comitê para combater corrupção eleitoral nas eleições no Pará

Iniciativa reúne entidades da sociedade civil e terá canal de denúncias via WhatsApp para agilizar combate à compra de votos e crimes eleitorais

Jéssica Nascimento

O Ministério Público (MP) Eleitoral, em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 2) e entidades da sociedade civil organizada, lançará, no próximo dia 18 de junho, a edição 2026 do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral no Pará. A iniciativa busca fortalecer a fiscalização do processo eleitoral, prevenir irregularidades e incentivar denúncias de práticas ilícitas, como compra de votos, abuso de poder econômico e clientelismo.

O lançamento oficial será realizado às 14h30, na sede do Ministério Público Federal (MPF), em Belém. Um dos principais destaques desta edição será a criação de um canal exclusivo de denúncias por WhatsApp, que permitirá aos eleitores encaminhar informações e provas de maneira rápida e simplificada.

Comitê reforça fiscalização e conscientização dos eleitores

O procurador regional Eleitoral, Bruno Valente, explica que o comitê retoma uma articulação já realizada em pleitos anteriores e amplia a parceria entre instituições para fortalecer o combate à corrupção eleitoral.

“O Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral é uma iniciativa que já foi realizada em outras eleições também e estamos reeditando agora essa parceria entre o Ministério Público e a CNBB, e também com a participação, com o apoio de outros órgãos”, afirma.

Segundo ele, a principal missão do grupo é promover ações de conscientização junto à população para coibir práticas ilegais durante a campanha.

“É uma instância que tem como principal função pensar em ações e campanhas de conscientização para combater essa prática da corrupção eleitoral, da compra de votos, da prática de crimes eleitorais”, destaca o procurador.

Além do recebimento de denúncias, o comitê prevê ações educativas em comunidades, produção de materiais informativos para os eleitores e organização de debates entre candidatos. Entre os temas que deverão ser discutidos estão a proteção da Amazônia, dos territórios indígenas e das comunidades quilombolas.

WhatsApp será ferramenta para agilizar denúncias

De acordo com Bruno Valente, uma das novidades desta edição será o uso do WhatsApp como ferramenta oficial para facilitar a comunicação direta entre a população e o Ministério Público Eleitoral.

“Uma das iniciativas mais importantes dentro do Comitê é a disponibilização de um canal para facilitar a denúncia das pessoas, fazer com que as pessoas possam de maneira rápida, desburocratizada, levar esses fatos ao conhecimento do Ministério Público”, explica.

O procurador acrescenta que o atendimento pelo aplicativo será ágil, permitindo que denúncias cheguem mais rapidamente para análise.

“Nessa eleição, vai ser através de um número de WhatsApp que vai responder, que vai atender com rapidez essas denúncias e fazer com que elas cheguem da melhor maneira ao Ministério Público para que possam ser apuradas”, ressalta.

Além do WhatsApp, os eleitores poderão registrar denúncias por meio do portal do Ministério Público Federal e pelo aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, disponível a partir de 16 de agosto, quando terá início a campanha eleitoral. Também será possível fazer denúncias presencialmente nas unidades do MPF e do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), que integram o MP Eleitoral.

CNBB destaca mobilização por eleições livres e conscientes

Para o bispo da Prelazia do Marajó e referencial das Pastorais Sociais da CNBB Norte 2, Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, a participação da igreja no combate à corrupção eleitoral tem raízes históricas e reforça a importância do voto responsável.

“A CNBB foi quem encaminhou o projeto de lei de iniciativa popular que gerou a Lei 9.840, a lei de combate à corrupção eleitoral. E desde 1999 ela tem trabalhado todos os anos em que tem eleição para que essa lei se torne mais conhecida e que as pessoas possam compreender a importância de votar livre, votar consciente, votar com responsabilidade e de não vender o voto”, afirma.

Segundo Dom Ionilton, a CNBB Norte 2 aceitou novamente o convite para integrar o comitê e pretende expandir a mobilização para diferentes regiões do Pará e do Amapá.

“Estaremos abrindo as portas da sede da CNBB Regional, que fica em Belém, mas tentando espalhar toda essa proposta do Comitê por todas as dioceses, as prelazias e as duas arquidioceses que temos no nosso regional”, explica.

O bispo ressalta que o objetivo é contribuir para um processo eleitoral mais transparente e democrático.

“A eleição precisa ser uma eleição limpa, uma eleição sem compra e sem venda de votos, uma eleição onde o eleitor, a eleitora, vote de maneira consciente, livre e com responsabilidade e que a compra e a venda de votos seja cada vez mais eliminada e combatida”, defende.

Entidades parceiras integram mobilização

O Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral reúne diferentes organizações com atuação na Amazônia. Além da CNBB Norte 2, participam a Cáritas Regional Norte 2, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam Brasil), o Centro de Estudos Bíblicos (Cebi/PA) e a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.

A proposta é unir instituições religiosas, sociais e órgãos públicos para ampliar a fiscalização cidadã, incentivar denúncias e fortalecer a integridade do processo eleitoral no Pará.

Serviço

  • O quê: Lançamento do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral no Pará
  • Quando: 18 de junho
  • Horário: 14h30
  • Onde: sede do Ministério Público Federal, em Belém
  • Endereço: Rua Domingos Marreiros, nº 690, bairro Umarizal