Ministério Público denuncia ex-vereador de SP por ofensas a Derrite e Nico
A denúncia foi recebida pela Justiça de São Paulo
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou nesta quinta-feira, 26 o ex-vereador de São Paulo Camilo Cristófaro (PL) pelo crime de difamação contra secretário de segurança pública do Estado, Osvaldo Nico, e contra o ex-titular da pasta Guilherme Derrite (PP).
O ex-parlamentar usou as redes sociais para fazer postagens criticando Nico e Derrite durante uma série de ataques a ônibus na Grande São Paulo. O Estadão tenta contato com a defesa de Cristófaro.
A denúncia foi recebida pela Justiça de São Paulo. O juiz Marcos Vieira de Morais, da 26ª Vara Criminal da Barra Funda, foi designado para julgar o caso.
Camilo Cristófaro foi o primeiro vereador a perder mandato por racismo. Ele foi cassado em setembro de 2023 por quebra de decoro parlamentar ao proferir frase racista durante uma CPI - mas já colecionava polêmicas e outras denúncias na atuação na Câmara de São Paulo.
Quem é Camilo Cristófaro?
Formado em Direito, Cristófaro se elegeu pela primeira vez em 2016, quando obteve 29.603 votos. Na época, concentrou as críticas nas redes sociais a Fernando Haddad (PT), então prefeito da capital. Nas eleições de 2020, conquistou novamente uma cadeira na Câmara, com 23.431 votos. Na campanha, o alvo passou a ser João Doria (PSDB), que havia deixado o cargo de prefeito para concorrer a governador.
Na biografia ainda disponível no site da Câmara, Cristófaro diz que ingressou na vida política aos 18 anos, ao se aproximar de Jânio Quadros. Também atuou como procurador do Estado na década de 1990.
No primeiro ano como vereador, em 2017, Cristófaro foi acusado de agredir verbalmente a então vereadora Isa Penna, com xingamentos de "vagabunda" e "terrorista". Na época, ela era do PSOL, e hoje é filiada ao PCdoB. Uma funcionária da Casa presenciou a discussão. Houve pedido de cassação, mas o caso não avançou.
Em 2018, ele atacou o vereador George Hato (MDB), que é de origem japonesa, ao puxar os olhos com as mãos. À época, Hato disse, em discurso no plenário da Câmara, que Cristófaro afirmou "vou dar um cacete nesse japonês" ao encontrá-lo no prédio. O então vereador negou. Os dois têm desavenças há anos.
Ainda legislatura de 2017-2020, Cristófaro foi condenado à sanção máxima pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) por fazer captação ilícita de recursos financeiros durante as eleições de 2016 e ainda foi acusado de receber verbas de campanha da mesma "laranja" que teria abastecido a candidatura de José Auricchio Jr. (PSDB), prefeito de São Caetano do Sul, na época. Cristófaro perdeu o mandato, mas conseguiu restituir o cargo após uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin.
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