Lula: Razão pela qual é preciso existir governo é para resolver problemas
O presidente não tratou sobre a rejeição de Jorge Messias ao STF e nem da derrubada do veto do projeto de dosimetria às penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 30, que a razão da existência do governo federal é a resolução de problemas. A fala foi feita no anúncio de novos créditos para aquisição de caminhões e ônibus, o programa Mover 2.
"A razão pela qual é preciso existir governo é para resolver problemas, porque, quando não tem problemas, não precisa de governo. Se não tivesse gente passando fome, se não tivesse gente precisando de melhor saúde, se não tivesse gente precisando de habitação, não precisaria de governo", afirmou Lula.
No primeiro discurso após as recentes derrotas no Congresso Nacional, o presidente não tratou sobre a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e nem da derrubada do veto do projeto de dosimetria às penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro, que beneficia diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O presidente também avaliou o início do programa destinado aos autônomos, já que apenas um quinto do orçamento disponibilizado havia sido direcionado para os beneficiários. Por isso, ele conversou com a equipe econômica para encontrar formas de aprimorar a iniciativa.
"Me chamou a atenção porque nós tínhamos disponibilizado R$ 1 bilhão e só tinham sido liberados R$ 200 milhões até o dia que conversei com eles (equipe econômica). Isso significa que você disponibilizou o recurso, mas tinha alguma coisa que estava atrapalhando as pessoas a terem acesso ao dinheiro", declarou o presidente.
Lula fez um balanço das mudanças do Mover 1, com aumento do prazo de carência, anos para pagamento e a diminuição da taxa de juros.
"Resolvemos melhorar as condições: aumentar o prazo de carência, aumentar a quantidade de anos para vocês poderem pagar e diminuir um pouco a taxa de juros que ainda é alta", disse.
Em tom de brincadeira, Lula também disse que o novo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, é um "mágico" que faz "aparecer dinheiro" e que consegue encontrar possibilidades para investimentos do governo, enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, alerta sobre as possibilidades de ultrapassar as linhas do arcabouço fiscal.
"Esse moço é mágico para aparecer dinheiro. Quando a Miriam está chorando que não tem dinheiro. Quando o companheiro Dario está dizendo 'olha o arcabouço fiscal, não posso, não tem mais dinheiro'. Chama o Bruno Moretti. Ele vai futucar no arquivo morto das possibilidades e vai conseguir encontrar alguma coisa para a gente fazer."
Nesta quinta-feira, 30, o governo anunciou o programa Move Brasil 2, que disponibiliza novos créditos para aquisição de ônibus e caminhões. Para isso, serão utilizados R$ 14,5 bilhões em recursos do Tesouro Nacional e mais R$ 6,7 bilhões de aporte adicional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Ao todo, serão R$ 21,2 bilhões destinados ao programa, sendo R$ 2 bilhões exclusivamente para caminhoneiros autônomos, "que terão condições diferenciadas de prazo e carência", e R$ 2 bilhões para linhas de ônibus.
O evento acontece no Palácio do Planalto. A imprensa não tem acesso ao local, mas está sendo transmitido ao vivo pelo governo. Estão presentes os ministros da Fazenda, Dario Durigan, da Casa Civil, Miriam Belchior, do Planejamento, Bruno Moretti, do Mdic, Márcio Elias Rosa, e da Secretaria Geral, Guilherme Boulos.
Parar de reclamar e fazer o que achamos que pode ser feito
Lula afirmou na mesma ocasião que toda política para ajudar um setor específico precisa ter o trabalhador na mesa de discussão e contrapartidas. Ele discursou ao anunciar uma segunda etapa da linha de crédito para caminhões e ônibus no Palácio do Planalto.
"Toda vez que a gente tiver que fazer uma política de investimento para ajudar um setor a se desenvolver temos que ter os trabalhadores na mesa de negociação. Porque toda política tem que ter a contrapartida para gente fazer o equilíbrio justo", afirmou.
Ele afirmou ainda que o País precisa parar de reclamar e fazer o que deve ser feito. Segundo ele, o papel do governo é fazer.
"Esse País, o que precisa, é a gente parar de reclamar e a gente fazer aquilo que a gente acha que precisa ser feito. Tem muita gente reclamando e poucas fazendo e o nosso papel é fazer", completou.
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