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Lula: 'É preciso não confundir a disputa eleitoral com governança'

O presidente afirmou também que a política atual fez com que adversários se tornassem inimigos

Estadão Conteúdo

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que é preciso que a disputa eleitoral e a condução do governo não sejam confundidos, após o senador oposicionista Laércio Oliveira (PP-SE) ser vaiado durante um evento da Petrobras, em Laranjeiras (SE). De acordo com o presidente, é preciso ter contato com "amigos, meio amigos e inimigos" para aprovar projetos de interesse do Executivo.

"É preciso não confundir a disputa eleitoral com governança. Na governança, eu preciso dos amigos, dos meio amigos e dos inimigos. Quando o projeto é de interesse brasileiro, eu não tenho vergonha de conversar com políticos", disse o petista.

O presidente afirmou também que a política atual fez com que adversários se tornassem inimigos. "As pessoas não se toleram." Ainda sobre as vaias sofridas por Laércio, Lula disse que só é candidato à Presidência a partir do dia 3 de julho.

"Eu só sou candidato a Presidente da República depois do dia 3 de julho. Até o dia 3 de julho eu sou o Presidente da República e vou viajar o Brasil entregando todas as obras que nós fizemos", disse Lula.

Laércio fez uma cobrança pública a Lula após ser vaiado pelo público na cerimônia de anúncio de R$ 72,5 bilhões em investimentos da Petrobras, em Laranjeiras (SE). O senador disse que o presidente tem que pedir respeito à "companheirada" e que o presidente corre o risco de não ter senadores no palanque de eventos por conta da reação da plateia.

"Faço política há 15 anos e nunca fui vaiado na minha vida. (...) Tem que falar com a companheirada que tem que respeitar, as ações são de Estado, as ações não são partidárias. Eu vim aqui em respeito ao senhor, a minha função aqui é institucional. Nós temos posições políticas diferentes, mas a gente não vai cessar o diálogo nunca", afirmou Laércio Oliveira.

Laércio Oliveira, que é próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e um apoiador da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, recebeu vaias assim que teve o nome anunciado pelo mestre de cerimônias do evento. Como em outras ocasiões, Lula pegou o microfone e pediu respeito ao público, cessando as manifestações.

"A gente não está aqui em um ato eleitoral ou partidário, isso aqui é um ato da Petrobras, que é muito significativo. As pessoas que estão aqui não vieram para cá de oferecidas, elas foram convidadas pela Petrobras e pelo governo para estar aqui. Então, eu gostaria que vocês recebessem as pessoas bem", disse Lula.