Inteligência Artificial na Justiça do Trabalho: Aliada da Eficiência e da Ética
Desembargador do TRT8 defende que uso define o resultado, mas na justiça a absorção da ferramenta tem sido positiva
A Justiça do Trabalho brasileira tem se posicionado na vanguarda da inovação tecnológica, incorporando a Inteligência Artificial (IA) em suas operações para otimizar processos e auxiliar nas decisões. O desembargador Carlos Zahlout Júnior, do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT8), que possui jurisdição sobre os estados do Pará e Amapá, é entusiasta da IA e coordenador de comitês na área, destaca que a Justiça do Trabalho no Pará foi a primeira ou uma das pioneiras a criar uma inteligência artificial de apoio às decisões judiciais, o "ChatJT".
Nesses sistemas, há ferramentas de degravação utilizados para agilizar a transcrição de audiências virtuais, por exemplo, um avanço impulsionado pela pandemia de Covid-19. Para o desembargadro do trabalho, essa tecnologia permite que trabalhadores, mesmo em locais remotos, participem de audiências por celular, eliminando a necessidade de longos deslocamentos. Esses novos métodos aproximam os agentes desse segmento da justiça de pessoas distantes, agilizam os processos e também reduzem custos com deslocamento.
A IA também é empregada em funções administrativas, como controle de pessoal, metas e planejamento. Zahlout enfatiza que a IA é uma ferramenta poderosa, mas seu impacto depende do usuário. "Qualquer ferramenta ela será o que você é", afirma, ressaltando que a IA pode potencializar tanto a eficiência quanto a ineficiência, dependendo da curiosidade e do propósito de quem a utiliza.
No entanto, a implementação da ferramenta na Justiça do Trabalho é acompanhada de rigorosos controles éticos e morais. Há uma preocupação especial com a utilização da IA em processos sigilosos, garantindo a proteção de dados sensíveis. Comitês éticos disciplinam o uso da tecnologia, assegurando que ela atue como um suporte, e não como um substituto, do poder decisório do julgador. A inteligência artificial, portanto, é vista como uma aliada para aprimorar a justiça, sem comprometer a ética e a autonomia humana.