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Hana Ghassan assume Governo do Pará e detalha prioridades em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal

Vice-governadora falou ao Grupo Liberal sobre gestão, economia, segurança e cenário político antes de assumir o comando do Pará no dia 2 de abril

Fabyo Cruz

A poucos dias de assumir o Governo do Pará, no próximo 2 de abril, a vice-governadora Hana Ghassan Tuma (MDB) concedeu entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, na qual abordou diferentes temas da gestão estadual. A transição ocorre na reta final do atual mandato, em um contexto de expectativas sobre a continuidade das políticas públicas e a capacidade de manter o ritmo de entregas em áreas estratégicas. 

Ao longo da entrevista, Hana Ghassan destacou que pretende priorizar a conclusão de obras, a ampliação de serviços e o fortalecimento de ações já em andamento no Estado. Entre os principais pontos tratados, estão os investimentos em saúde, educação e segurança pública, além do enfrentamento à violência contra a mulher. A futura governadora afirmou que a proteção às mulheres seguirá como prioridade, com foco na ampliação da rede de atendimento, prevenção e acolhimento.

Ela também respondeu a críticas da oposição relacionadas ao nível de endividamento do Estado. Para Hana Ghassan, o Pará mantém equilíbrio fiscal e capacidade de investimento, com indicadores que apontam crescimento econômico, aumento na abertura de empresas e redução do desemprego.

No campo político, a vice-governadora indicou que pretende dar continuidade às alianças construídas nos últimos anos, ao mesmo tempo em que defende o diálogo com diferentes esferas de poder, incluindo o governo federal. Ela diz que o foco da gestão deve permanecer nos desafios locais, evitando que disputas nacionais interfiram nas prioridades do Estado.

Durante a conversa, Hana Ghassan Tuma também falou sobre sua trajetória no serviço público e afirmou estar preparada para assumir o comando do Executivo. Ela ressaltou a experiência acumulada em funções estratégicas e a participação direta nas decisões da atual gestão como elementos que sustentam sua preparação para o cargo.

Ao projetar os próximos meses, a futura governadora reforçou a ideia de continuidade com avanços, defendendo uma gestão orientada por resultados, mas com maior proximidade da população. A seguir, confira a entrevista concedida ao Grupo Liberal.

  • A senhora assume o comando do governo estadual no próximo dia 2º de abril, a nove meses do encerramento do mandato. Quais serão as prioridades de sua gestão?

Resposta: “Assumo com muita responsabilidade e com uma missão clara: ampliar o que já está dando certo. O Pará hoje tem rumo, tem planejamento e tem resultado. Nesses próximos meses, nossas prioridades são claras: entregar obras, ampliar serviços e garantir que as políticas cheguem à ponta".

  • Quando a atual gestão assumiu, em 2019, o governador se comprometeu com três eixos principais, os chamados três S: Segurança, Saúde e Servidores (valorização), com o lema “Bora Trabalhar!”. Que avaliação a senhora faz do combate à criminalidade, da melhora da rede pública de saúde e da própria organização do funcionalismo estadual?

"Nosso trabalho é para o Pará continuar avançando com entregas nos 144 municípios. Vamos trabalhar incansavelmente para continuar melhorando a vida das pessoas, com foco especial em mulheres, mães e crianças. A saúde continua sendo prioridade. Entregamos 44 hospitais novos e reconstruídos e vamos entregar 5 hospitais materno-infantis e policlínicas, ampliando o atendimento nas diversas regiões do Estado.

Na segurança, alcançamos melhores indicadores no combate à criminalidade. Somos o quarto estado que mais reduziu crimes em 2025 e o primeiro da Região Norte. Ampliamos o quadro de policiais com mais 11 mil novos profissionais, garantimos melhoria nas condições de trabalho com mais de 300 batalhões e delegacias novos e reconstruídos. Ampliamos os investimentos em inteligência, integração das forças e vamos continuar firmes no combate ao crime em nosso Estado.

A educação, como pilar fundamental do nosso governo, avança em 2026 com investimentos de mais de R$ 800.000,00 na construção de creches. Já entregamos 25 novas creches e estamos construindo 100 creches ao mesmo tempo, além de 177 escolas reformadas e construídas. O Pará tem o maior resultado da sua história no Brasil no IDEB: saímos do 26º lugar para o 6º lugar, resultado de trabalho contínuo. Vamos continuar avançando e garantindo educação de qualidade em todo o Estado. Quando o governo cuida das pessoas e de quem trabalha pelo Estado, o resultado aparece”.

  • Considerando especificamente a área da segurança pública, quais políticas devem ser implementadas para combater a violência contra a mulher e reduzir os índices de feminicídio no estado, tanto até dezembro quanto em um eventual governo seu a partir de 2027?

Resposta: “Esse é um tema que exige firmeza e prioridade absoluta. Vamos fortalecer ainda mais a rede de proteção às mulheres. É preciso agir na raiz do problema, com educação e conscientização. Violência contra a mulher não é só caso de polícia — é uma luta de toda a sociedade.

O enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade absoluta. O Pará avançou na segurança; hoje, Belém já figura entre as capitais mais seguras do país. Na política voltada à segurança da mulher, implantamos as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), instalamos os totens da mulher, em locais estratégicos, que permitem contato direto com a polícia, o aplicativo SOS Maria da Penha e o Programa Pró-Mulher Pará, que garante ações de proteção, orientação e acolhimento em 25 localidades.

Sabemos que ainda há muito a fazer, especialmente na proteção das mulheres. Vamos avançar em três frentes: proteção, com fortalecimento de mecanismos como monitoramento de agressores e atendimento especializado; prevenção, com atuação nos territórios mais vulneráveis; acolhimento, ampliando a rede de apoio às vítimas. É uma política que exige firmeza, integração e sensibilidade e continuará sendo tratada como prioridade total”.

  • Deputados da oposição têm criticado a permanente contratação de crédito junto às instituições financeiras. Eles afirmam que o governo estadual já ultrapassou mais de 20% da sua capacidade de endividamento, de R$ 90 bilhões. Qual o volume atual de endividamento do estado?

Resposta: “Hoje somos o 9º estado com menor grau de endividamento do Brasil, o que demonstra que nossa gestão proporcionou segurança jurídica para os investimentos públicos e privados em nosso Estado. Alcançamos a 4ª melhor taxa de investimento do Brasil e somos líderes regionais. Temos a menor taxa de desemprego desde 2012. Os investimentos na modernização logística do Pará permitem a ampliação da base produtiva, com maior atração de investimentos. Podemos citar o crescimento de 97% na abertura de novas empresas.

Hoje temos equilíbrio fiscal, credibilidade e capacidade de investimento, e isso se traduz em obras, hospitais, escolas, segurança e desenvolvimento. O resultado está aí: um Estado organizado, com investimentos crescentes e entregas acontecendo”.

  • Em 2022, o governador Helder Barbalho (MDB) articulou uma grande frente partidária, conseguindo a aliança com 15 legendas, e se reelegeu. A senhora pensa em um novo arranjo de forças políticas no Pará?

Resposta: “O meu governo será um governo de continuidade. As alianças partidárias estão sendo construídas e pautadas em um projeto iniciado em 2019, que vem transformando a realidade do estado. E aqueles que estiverem dispostos a continuar colaborando com este projeto, que deu certo no estado do Pará, convido todos a estarem ao meu lado para colaborar com isso”.

  • O que a senhora defende para se afastar da polarização das eleições presidenciais e obter apoio dos eleitores, em geral, na corrida para o governo do estado?

Resposta: “A parceria do governo estadual com o governo federal tem sido muito importante para o estado do Pará. A prova disso são os investimentos realizados por todo o estado e que precisam continuar para enfrentarmos problemas que ainda não foram solucionados. Nós já sabemos, pela experiência do passado, o quanto virar as costas para parcerias e isolar o Pará trouxe prejuízos e sacrifícios ao povo paraense. Eu, como governadora, vou buscar o diálogo com o governo federal e com aqueles que podem colaborar com o desenvolvimento do Pará, para que eu possa dar continuidade a essa gestão exitosa. As discussões em torno da polarização nacional ficarão no âmbito da polarização nacional. Aqui no Pará, eu vou lutar e debater os desafios do Pará, até porque nós sabemos o quanto o estado avançou, mas também o quanto ainda precisa avançar. Olhar para o futuro do Pará é debater e discutir soluções para o estado. Não é perder tempo com polarizações que não contribuem com os reais desafios que a população paraense enfrenta”.

  • Com exceção dos momentos em que assumiu o governo estadual na ausência de Helder Barbalho, essa será sua primeira experiência à frente de um cargo eletivo. A senhora se sente pronta para esse desafio?

Resposta: “Me sinto pronta, sim, porque minha trajetória sempre foi de responsabilidade, preparo e entrega. Sou servidora pública de carreira há 36 anos, auditora fiscal concursada, e construí minha experiência na gestão pública, passando por funções estratégicas e ocupando cargos de chefia e liderança. E, durante esses últimos quase oito anos, atuei como secretária de Planejamento e de Administração, onde ajudamos a organizar as contas públicas, planejar os investimentos e acompanhar de perto as principais obras e projetos do Pará.

Tive a responsabilidade de presidir o Comitê Estadual da COP 30, coordenando ações estratégicas, grandes investimentos e a preparação do Pará para um dos maiores eventos internacionais da atualidade. Antes de assumir formalmente o cargo, sempre estive diretamente envolvida nas decisões que fazem o Estado funcionar e avançar.

Assumo este desafio com segurança, responsabilidade e com a certeza de que estou preparada, não apenas pelo cargo que ocupo hoje, mas por toda a trajetória construída ao longo da minha vida pública. E, mais do que isso, assumo com compromisso: o compromisso de continuar fazendo o Pará crescer, mas, principalmente, de garantir que esse crescimento melhore cada vez mais a vida das pessoas”.

  • A senhora assume o governo em um momento de grandes expectativas da população. Como pretende imprimir sua marca própria na gestão, mantendo a continuidade dos avanços?

Resposta: “Assumo o governo com muito respeito ao trabalho que foi feito até aqui, mas também com a responsabilidade de avançar ainda mais. Minha marca será a de uma gestão próxima das pessoas, que entrega obras e garante que elas funcionem e transformem a vida de quem mais precisa. Vamos manter o ritmo de crescimento do Estado, com responsabilidade fiscal e capacidade de investimento, mas com um olhar cada vez mais voltado para o cuidado, especialmente na saúde, na proteção das mulheres e na melhoria dos serviços essenciais. É continuidade com evolução. É fazer o Pará crescer cada vez mais!”.