'Fake news' nas eleições: saiba como identificar notícias falsas e evitar desinformação
Cientista político da UFPA orienta eleitores a checar a veracidade de conteúdos antes do compartilhamento
O aumento da circulação de notícias falsas (fake news) nas eleições mobiliza a Justiça Eleitoral e especialistas sobre como orientar o eleitor a verificar conteúdos enganosos nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Diante do avanço de tecnologias manipuláveis, o cidadão precisa adotar práticas diárias de checagem para evitar a propagação de fraudes virtuais.
De acordo com o cientista político André Carneiro Buna, pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA) e doutorando na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a desinformação afeta a estabilidade dos sistemas políticos mundiais
Como o TSE e os TREs atuam no combate à desinformação eleitoral
Buna aponta que o sistema brasileiro possui um processo de consolidação que enfrenta constantes modificações em regras partidárias e de financiamento, o que torna o cenário suscetível a ruídos informacionais. Para conter os impactos negativos causados por elites políticas que buscam vantagens na disputa, ele destaca o trabalho conjunto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e do Ministério Público Eleitoral.
"Eles têm um papel fundamental em controlar e produzir normas que tipificam atitudes ilegais dos candidatos e dos partidos", afirmou o cientista político.
O pesquisador lembrou a existência de uma resolução, instituída em 2019, que proíbe e estabelece regras rígidas contra o uso de desinformação estruturada para prejudicar concorrentes.
"Além da produção de regras, há a fiscalização no recebimento de demandas tanto da população e de organizações da sociedade civil quanto dos partidos para apurar e aplicar sanções", completou.
Dicas práticas para reconhecer conteúdos falsos e manipulação por IA
No período de campanhas, os eleitores devem ficar atentos aos marcadores visuais e textuais que caracterizam mensagens fraudulentas, tais como manchetes exageradas, erros excessivos de português, prints facilmente editáveis e áudios sem autoria. Com o uso de inteligência artificial para simular textos, vozes e vídeos de alta sofisticação, os critérios de avaliação do público precisam ser detalhados.
"A gente deve procurar alguns marcadores nesses anúncios, como identificação no canto da tela ou algum tipo de identificação numa imagem muito pastorizada, com poucos traços de realidade, que possam indicar a utilização de alguma inteligência artificial ou de alguma manipulação", orientou André Carneiro Buna.
O especialista também alertou para chamadas sensacionalistas que servem como gatilho de clickbait para atrair a leitura de dados carentes de verificação.
Em relação aos conteúdos em formato de vídeo, o pesquisador recomenda uma análise minuciosa dos aspectos técnicos.
"Deve-se verificar em vídeos movimentos estranhos, ausência de membros ou borrados em movimentos rápidos. A sincronia do lábio com a voz também deve ser observada. Todas essas são artimanhas e artifícios que o eleitor tem que ter na hora de julgar a veracidade", detalhou Buna.
A ausência de autoria ou a imprecisão na assinatura de notícias e imagens também indicam risco elevado de fraude.
Ferramentas gratuitas ajudam cidadãos na dupla verificação de fatos
Para realizar a checagem segura de uma notícia antes de repassá-la adiante, as orientações básicas envolvem pesquisar o assunto em veículos de imprensa profissionais reconhecidos, conferir as datas de publicação das matérias e realizar buscas reversas de imagens para constatar se o material está fora de contexto. Como alternativa oficial de suporte, existem organismos especializados e iniciativas institucionais em andamento.
"A gente tem alguns organismos, alguns são da sociedade civil, e também um que será elaborado pelo próprio TSE, que será um grande banco, um grande arquivo de informações que serão verificadas e classificadas como verdadeiras e falsas, que estará à disposição do eleitor", concluiu o cientista político André Carneiro Buna.
Guia prático para o eleitor
A verificação sistemática de mensagens suspeitas previne a disseminação de boatos e fraudes tecnológicas nas redes sociais. Veja como agir diante de conteúdos duvidosos:
- Analise as características do texto: desconfie de erros ortográficos em excesso, títulos exagerados e pedidos urgentes de compartilhamento
- Avalie a identidade visual: busque por marcas d'água em cantos de tela, falhas de sincronia entre áudio e vídeo ou distorções em movimentos rápidos
- Consulte a imprensa profissional: pesquise se portais de notícias reconhecidos publicaram a mesma informação
- Utilize os canais oficiais: acesse a página da Justiça Eleitoral e consulte o banco de dados do TSE preparado para o período de eleições
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