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Estado demorou a reconhecer força do crime organizado, avalia promotora paraense

Para Ana Maria Magalhães, presidente da Ampep, facções na Amazônia possuem hierarquia e domínio territorial que desafiam a soberania estatal

Gabriel da Mota

O combate ao crime organizado na Amazônia exige mais do que força policial; exige o reconhecimento da complexidade do inimigo. A avaliação é da promotora Ana Maria Magalhães, presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Pará (Ampep). Em entrevista ao Grupo Liberal, ela analisou a evolução das facções no Estado e a resposta do Poder Público.

Com a experiência de quem atuou em comarcas do interior e no enfrentamento direto à criminalidade, Ana Maria afirma que, durante anos, houve uma subestimação do problema. "De uns 5 ou 6 anos para cá, houve uma compreensão e aceitação de que o crime organizado realmente era organizado", disse.

Para a promotora, as facções operam com definição de tarefas, cargos de poder e, principalmente, dominação territorial. Ela alerta que a perda de território para o crime fere a própria existência do Estado.

"Onde existe um predomínio de organização criminosa, não se pode falar em segurança. Não existe soberania onde você não tem território", pontuou.

Apesar do diagnóstico duro, a presidente da Ampep se diz otimista com a reestruturação dos órgãos de inteligência e do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco). "Acredito sim que, com inteligência e investimento, essa batalha vai ser ganha pela sociedade", concluiu.