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Cláudio Castro agradeceu Vorcaro após jantar de R$ 66 mil em Nova York: 'experiência incrível'

As conversas entre os dois foram obtidas pela Polícia Federal no telefone celular do dono do Banco Master

Estadão Conteúdo

O então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), enviou agradecimentos ao banqueiro Daniel Vorcaro após este custear um jantar de R$ 66 mil em Nova York, nos Estados Unidos. Diálogos obtidos pela Polícia Federal (PF) revelaram a interação, levantando suspeitas sobre a relação entre os dois.

As conversas, encontradas no celular do dono do Banco Master, fundamentaram uma operação deflagrada na terça-feira (26). Esta ação cumpriu mandados de busca e apreensão contra Cláudio Castro e outros alvos, por supostas irregularidades em aportes de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Master e em fundos ligados ao banco.

Em nota, a defesa de Cláudio Castro negou que o ex-governador tenha interferido na liberação dos recursos do Rioprevidência ao Banco Master. Trechos dos diálogos foram divulgados pela GloboNews, e o Estadão teve acesso aos relatórios da PF.

Detalhes dos Diálogos e do Jantar

Em 11 de maio de 2023, Daniel Vorcaro enviou a Cláudio Castro o endereço do restaurante Nusr-Et Steakhouse New York, conhecido por pratos de carne mediterrâneos. Após o jantar, Vorcaro perguntou se "deu certo", e Castro respondeu uma hora depois: "Deu sim amigo. Muito obrigado. Amigo, foi uma experiência incrível. Muito obrigado".

A investigação aponta que, um minuto antes do agradecimento, Vorcaro recebeu uma cobrança de US$ 13 mil do restaurante em seu celular. Este registro indica que o banqueiro pagou a refeição de Castro. As conversas obtidas pela PF também mostram que, um ano depois, Vorcaro reservou um novo jantar com o governador no mesmo estabelecimento.

Em 12 de maio de 2024, Vorcaro avisou a Cláudio Castro sobre a nova reserva, e o governador novamente expressou gratidão com a frase "Vc não existe". Em outra conversa, o banqueiro orientou um interlocutor responsável pela organização a pedir "aquela carne de ouro ou alguma especial para ele ir", referindo-se a cortes com folhas de ouro famosos no local.

A Polícia Federal também encontrou registros de encontros entre Vorcaro e Cláudio Castro no Brasil, incluindo na residência oficial do governador no Rio de Janeiro. Segundo os investigadores, a relação auxiliou a liberação de recursos do Rioprevidência para o Master, com pagamentos próximos aos encontros. As conversas de WhatsApp, porém, não citam especificamente o Rioprevidência.

O que diz a Defesa de Cláudio Castro

A defesa de Cláudio Castro negou veementemente qualquer interferência na liberação dos recursos do Rioprevidência. A nota afirma que os contatos entre Castro e Daniel Vorcaro ocorreram em agendas oficiais, institucionais e sociais, consideradas comuns para um gestor público e sua relação com o setor empresarial. A defesa garante não ter havido qualquer tratativa ilícita, favorecimento ou benefício pessoal.

A nota esclarece que Cláudio Castro não conhece o "Ricardo" apontado como suposto intermediário. A defesa também refuta a informação de que viagens, passagens ou despesas pessoais do ex-governador tenham sido custeadas por Daniel Vorcaro, negando qualquer tipo de benefício pessoal.

Sobre os investimentos do Rioprevidência, a defesa detalha que todos seguiram fluxos técnicos, jurídicos e administrativos próprios da autarquia. As operações estavam dentro dos limites aprovados pelo Conselho de Administração e em conformidade com as regras da Resolução CMN nº 4.963/2021, conduzidas com instituição autorizada e supervisionada pelo Banco Central.

A defesa ressalta que Cláudio Castro jamais integrou comitês de investimentos do Rioprevidência, não participava das decisões técnicas da carteira e nunca exerceu função operacional ligada aos investimentos. Isso, conforme a nota, demonstra a autonomia técnica dos executivos e órgãos internos responsáveis pelas análises e deliberações.

Quando surgiram questionamentos sobre operações envolvendo o Banco Master, o próprio ex-governador determinou investigações e controles imediatos, incluindo o afastamento da presidência do Rioprevidência e a instauração de procedimento interno pela Controladoria-Geral do Estado.

A nota informa que, em dezembro de 2025, houve o resgate de aproximadamente R$ 1,4 bilhão de um fundo administrado pelo Banco Master, protegendo o patrimônio previdenciário. As compras de Letras Financeiras do Banco Master foram encerradas em 2024, sem novos aportes após determinação do TCE-RJ. O Fundo Arena foi integralmente resgatado em 2025, e o Fundo Revolution teve pedido de resgate em janeiro de 2026.

Todos os recursos investidos nos fundos ligados ao Banco Master que foram recuperados já foram ressarcidos ao caixa do Estado. Parte desses valores foi usada para garantir o pagamento da folha previdenciária. A defesa reitera sua confiança no esclarecimento dos fatos e no trabalho das instituições.