Caso Master: Motta defende Toffoli e vê revelações como 'exagero' e 'afã de atacar conduta'
Motta afirmou que o STF tem cumprido seu papel e considerou um "exagero" as revelações que mostraram o envolvimento do ministro
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu nesta quinta-feira, 26, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, ex-relator do caso Master. Motta classificou como 'exagero' as revelações sobre o envolvimento do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master.
Em entrevista ao site Metrópoles, o deputado afirmou que houve um 'exagero' da mídia no papel cumprido por Toffoli. Segundo ele, o ministro atendeu aos pedidos e conduziu suas decisões com equilíbrio.
Motta acrescentou que o 'afã de se querer sangue' e atacar condutas se sobrepõe ao razoável na cobertura do caso.
Envolvimento de Toffoli no caso Master
O pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é o proprietário dos fundos de investimentos que adquiriram parte da participação da empresa de Toffoli no resort Tayayá, no Paraná. O ministro é sócio anônimo da Maridt, administrada por seus irmãos, e recebeu dividendos destas transações.
Conversas entre Toffoli e Vorcaro foram encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro. Menções ao ministro também apareceram em mensagens. Estas informações foram enviadas ao STF com indicação de suspeição do relator.
Após o relatório da Polícia Federal, Toffoli optou por deixar a relatoria do caso Master. O Supremo Tribunal Federal anunciou a decisão após uma reunião com os dez ministros. O STF informou, em nota, que não há suspeição ou impedimento do ministro, que atendeu a todos os pedidos da PF e PGR.
Aos demais ministros, Toffoli negou laços pessoais com Vorcaro. Ele desmentiu recebimento de recursos do banqueiro, mas admitiu ser sócio da empresa Maridt. O ministro alegou que, em 2021, ninguém sabia das ligações de Vorcaro com 'falcatruas' quando a Maridt vendeu parte de sua fatia.
Toffoli descreveu a Maridt como uma 'empresa familiar' com sede em Marília (SP). Ela é administrada por seus irmãos, José Eugênio e José Carlos. Todas as transações financeiras da empresa foram declaradas à Receita Federal.
Pressão por CPI do Master
Na entrevista, Hugo Motta afirmou que não se furtará de discutir qualquer tema. Ele analisará os pedidos de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) por ordem cronológica. Deputados pressionam pela instalação de uma CPI sobre o Master.
O presidente da Câmara considera 'errado' mudar o escopo de uma CPI. Segundo ele, não se deve usar o instrumento para 'fazer palanque eleitoral' sobre outro assunto, pois 'CPI tem escopo'.
Motta declarou que os órgãos competentes apuram o caso Master. Ele confia na condução do novo relator no STF, ministro André Mendonça. O presidente da Câmara crê que Mendonça 'conduzirá com imparcialidade, responsabilidade e buscando proteger o País'.
Nesta quarta-feira, 25, a CPI do Crime Organizado aprovou um convite para o comparecimento de Toffoli. A comissão também aprovou a quebra de sigilo fiscal da Maridt Participações para o período de 2022 a 2026.
A CPI aprovou a convocação dos irmãos de Toffoli, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, gestores da Maridt. A presença deles para depoimento é obrigatória, enquanto a do ministro é facultativa.
O colegiado também avalizou o convite ao ministro do STF Alexandre de Moraes e a convocação de Daniel Vorcaro, dono do Master. A quebra de sigilos do banco também foi aprovada.
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