MENU

BUSCA

Capacitação e educação intercultural fortalecem autonomia de refugiados Warao em Belém

Parcerias com Sebrae e ações educacionais buscam adaptar o artesanato ao mercado e ampliar o acesso à alfabetização na comunidade indígena refugiada

Maycon Marte

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) tem ampliado ações de capacitação e educação junto à comunidade indígena Warao em Belém, com foco na geração de renda e na inclusão educacional. Segundo a assistente de campo e porta-voz da instituição na capital paraense, Ludmilla Barros, parcerias com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Pará (Sebrae) têm sido fundamentais para fortalecer a principal atividade econômica do grupo: o artesanato. Além dos Warao, Belém também recebe migrantes Cubanos e Haitianos.

As mulheres Warao produzem peças com miçangas e palha de buriti, técnica tradicional que garante sustento a muitas famílias. O trabalho da ACNUR, em parceria com o Sebrae, tem buscado aprimorar essa atividade, principalmente no que se refere à adaptação ao mercado local. “O que é realmente necessário é adaptar esse trabalho ao mercado interno, o que ocorre através de pequenas coisas, como uso de máquina de cartão, fazer um Pix, precificação e estratégias de venda”, explicou Ludmilla. Novas capacitações estão previstas para ampliar essas competências e fortalecer a autonomia econômica da comunidade.

Outro avanço citado é a criação de uma associação formada pelas próprias artesãs, vinculada ao Conselho Warao. A iniciativa busca organizar a produção, facilitar a comercialização das peças e fortalecer a representação coletiva, ampliando as possibilidades de geração de renda e de diálogo com parceiros institucionais.

Na área da educação, a ACNUR tem atuado para garantir o acesso a um modelo intercultural de ensino. A organização defende a implementação de turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) voltadas à realidade linguística e cultural dos Warao. Em 2025, seis integrantes da comunidade receberam bolsas para realizar alfabetização dentro do próprio território, em um processo conduzido por pessoas que já dominam o português, o espanhol e a língua Warao.

Para 2026, a meta é retomar e ampliar essas iniciativas em articulação com órgãos públicos, de modo a beneficiar um número maior de refugiados indígenas. A proposta é fortalecer o eixo intercultural da educação, garantindo acesso ao aprendizado formal sem romper com os saberes tradicionais e a identidade cultural da comunidade.