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Brasileiro destaca racismo climático na proposta de criação da Câmara de Justiça Climática na ONU

Em entrevista ao Grupo Liberal, coordenador do Comitê Permanente da América Latina para a Prevenção do Crime destacou a importância de um tribunal internacional para combater crimes ambientais e o impacto das desigualdades climáticas.

Jéssica Nascimento

Em uma entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, Edmundo Oliveira, coordenador internacional do Comitê Permanente da América Latina para a Prevenção do Crime (Coplad), apresentou detalhes sobre a proposta de criação da Câmara de Justiça Climática na Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa, que faz parte da ampla "Reforma da ONU" iniciada em setembro de 2024, objetiva estabelecer um tribunal internacional para enfrentar as questões de criminalidade e degradação ambiental que afetam diretamente o clima global.

Competências da Câmara de Justiça Climática

Oliveira explicou que a definição das competências da nova câmara será parte dos estudos em andamento da Reforma da ONU, mas destacou que a atuação do tribunal será essencial para combater práticas ilícitas que afetam o meio ambiente, como a lavagem de dinheiro ligada ao desmatamento na Amazônia

“Vamos levar essa proposta para dentro da Reforma da ONU e alinhar as competências para garantir que a Câmara de Justiça Climática seja eficaz", disse Oliveira.

Amazônia e o mercado do crime

Um dos pontos centrais da proposta é a necessidade de políticas públicas mais robustas para combater a criminalidade na Amazônia. Segundo Oliveira, a Amazônia, embora pertença ao Brasil, é um patrimônio global, e sua preservação depende do esforço coletivo. 

Ele alertou sobre o impacto da lavagem de dinheiro, que movimenta cerca de 130 bilhões de dólares anualmente, como um dos maiores fomentadores do "mercado do crime" na região. 

“O mercado do crime é composto por crimes antigos, como o desmatamento, mas também por crimes novos, como o racismo climático", explicou.

Racismo climático e justiça pedagógica

Oliveira também destacou que a Câmara de Justiça Climática não focará em punições, mas em medidas pedagógicas para sensibilizar as populações e governos sobre a importância da justiça climática. 

Ele mencionou o conceito de "racismo climático", um fenômeno que descreve o sofrimento causado por desigualdades na infraestrutura para enfrentar desastres ambientais, especialmente nas comunidades mais vulneráveis. 

"A vinda da Câmara de Justiça Climática ajudará com medidas pedagógicas para que o mundo respire melhor e as comunidades se sintam mais protegidas", concluiu.