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Após reunião com Lula, Jaques Wagner (PT-BA) decide deixar liderança do governo no Senado

Estadão Conteúdo

O senador Jaques Wagner (PT-BA) decidiu deixar a liderança do governo no Senado nesta quarta-feira, 24, após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio da Alvorada, em Brasília. A saída de Wagner do cargo ocorre dias depois das buscas da Polícia Federal realizadas em 18 de junho, no âmbito das investigações no caso do Banco Master.

O anúncio foi feito por Jaques através de nota publicada no X. O senador disse que irá priorizar a sua defesa sobre os indícios apontados pela Polícia Federal. Ele disse ainda que a conversa com Lula foi "entre amigos" e que os dois encontraram um comum acordo.

"Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado", declarou Jaques no X.

As lideranças do governo são cargos de representação de interesses do Poder Executivo no Congresso Nacional. Na Câmara, o líder é o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Com a saída de Wagner, o governo deverá designar um substituto para a liderança no Senado.

Na semana passada, Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação do petista no esquema. A PF suspeita que Wagner tenha recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que totalizaram R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.

Em nota, Wagner nega que tenha atuado em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira em seu mandato parlamentar. Sobre o imóvel citado pela PF, o senador declarou que ele não integra o patrimônio do líder do governo.

Conforme o Broadcast Político havia mostrado, Lula se irritou com Wagner após o senador ter dito à Band News que falou com o presidente da República após a operação da Polícia Federal. Na ocasião, Wagner disse que Lula prestou apoio a ele.

O Estadão também mostrou que a campanha de Lula avaliou que a operação contra Wagner contaminou Lula, por ressuscitar no eleitorado a pecha de corrupção que marcou o PT nos escândalos do mensalão e do petrolão.

O presidente do PT, Edinho Silva, o PT da Bahia e parlamentares da bancada petista defenderam a presunção de inocência de Wagner. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também defendeu o trânsito em julgado.

Wagner é um dos mais longevos aliados políticos de Lula em Brasília. Os dois são amigos desde a década de 1970. Os dois são oriundos do movimento sindical - Lula, do dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), e Wagner, do dos trabalhadores da indústria petroquímica da Bahia.

Jaques Wagner foi ministro do Trabalho e das Relações Institucionais no primeiro mandato de Lula. Em 2006, foi eleito governador da Bahia. Em 2010, foi reeleito e conseguiu fazer seu sucessor em 2014: Rui Costa. Wagner foi ministro da Casa Civil da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e chegou a entregar seu cargo em 2016 para que Lula fosse nomeado em seu lugar - o que acabou impedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).