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Após pressão nas redes, Romário abre mão do salário de senador durante a Copa do Mundo

Enquanto acompanha a Copa, Romário participa remotamente das sessões

Estadão Conteúdo

O senador Romário (PL-RJ) anunciou nesta terça-feira, 30, que irá abrir mão do salário dele como parlamentar durante a Copa do Mundo. No ofício enviado, Romário pede que sejam adotadas providências administrativas para que não seja paga a remuneração pelo período entre 11 de junho e 19 de julho - datas do primeiro e do último dia da competição.

"Foi uma escolha minha. Continuarei trabalhando normalmente e acompanhando as votações", disse Romário, que vinha sendo pressionado em publicações nas redes sociais pelo fato de manter o mandato ao mesmo tempo em que exerce a atividade parlamentar diretamente dos Estados Unidos. Um senador da República hoje recebe R$ 46.366,19 por mês.

O ex-jogador viajou para os Estados Unidos, onde vai comentar jogos da Seleção na CazéTV, que transmite os jogos da Copa do Mundo. Ele também escreve uma coluna sobre a competição para o jornal O Globo.

Segundo Romário, a votação do fim da proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do fim escala de trabalho 6x1 foi um dos motivos que o fez manter o mandato como senador enquanto está nos Estados Unidos. "Fiz questão de permanecer no exercício do mandato e garantir a minha participação nas discussões e na votação da proposta", afirmou.

No plenário do Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), disse que Romário está "honrando o Brasil ao participar da Copa" e que a polarização política leva ao que ele chama de "ataques infundados nas redes sociais".

"Vossa Excelência está honrando o Brasil ao participar da Copa como ídolo do futebol mundial e honra o nosso Senado com a sua fala. Essa polarização política tem prejudicado muito o trabalho de todos nós parlamentares, que estamos sofrendo ataques infundados nas redes sociais. Estão nos atacando institucionalmente e pessoalmente. Isso não pode continuar", disse Alcolumbre.

Enquanto acompanha a Copa, Romário participa remotamente das sessões. Isso porque até o início do recesso parlamentar, no dia 18 de julho, o Senado fará sessões semipresenciais - o que permite que senadores participem de forma remota das sessões sem ter prejuízo no salário.

O Sistema de Deliberação Remoto (SDR), desenvolvido pelo Senado, permitiu que senadores participassem de sessões do plenário e de comissões sem a necessidade de estar presencialmente. Os parlamentares podem fazer isso por meio de um aplicativo registrado em um dispositivo móvel de uso do senador.

Os senadores só podem ser punidos com dedução do salário caso não registrem presença no plenário ou não participem de votações no dia. Pelo SDR, em sessões presenciais, os parlamentares podem fazer isso mesmo estando fora do Senado, como no caso de Romário.

O recesso parlamentar começa no dia 18 de julho e perdurará até o dia 31 desse mesmo mês.