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A visão do brasileiro sobre pobreza, preguiça e maioridade penal; o que diz o Datafolha

Estadão Conteúdo

A nova rodada de pesquisas do Datafolha, divulgada na última sexta-feira, 3, revelou o retrato do brasileiro que vai às urnas em outubro para escolher o próximo presidente do País.

A pesquisa abordou temas como opinião da população sobre uma suposta relação entre pobreza e preguiça, a aceitação da homossexualidade, a maioridade penal, entre outros pontos. Os resultados mostram uma inflexão mais conservadora dos brasileiros nos últimos quatro anos. Veja abaixo os principais resultados do Datafolha.

Para esses levantamentos, o Datafolha entrevistou presencialmente 2.004 eleitores de 16 anos ou mais nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A pesquisa, registrada no TSE sob o número BR-09956/2026, ocorreu em 139 municípios. O instituto aponta uma margem de erro máxima para o total da amostra de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. Há variações da margem nos estratos, de acordo com a base.

Pobreza e preguiça

O porcentual de pessoas que consideram que a pobreza está relacionada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar passou de 22% em 2022 para 40% em 2026. Esse índice é o maior da série histórica desde que essa pergunta começou a ser feita pelo Datafolha em 2013.

A ideia de pobreza está ligada à falta de oportunidades iguais ainda é opinião da maioria, mas o porcentual caiu de 76% para 58% em quatro anos.

Impostos e serviços

Metade dos entrevistados pelo Datafolha prefere pagar menos impostos e arcar com serviços particulares de saúde e educação do que bancar uma carga tributária maior e receber serviços gratuitos. 44% tem opinião oposta, e 6% não souberam responder.

Na pesquisa realizada quatro anos antes, as duas opções estavam em empate técnico, com 46% preferindo pagar menos impostos e arcar com serviços privados e 48% optando por uma carga tributária maior com a contrapartida de serviços públicos. Segundo a pesquisa, há uma diferença importante de gênero. Enquanto a 56% dos homens prefere pagar menos impostos, somente 44% das mulheres têm essa opinião.

Maioridade penal

Um dos temas que mais suscita polêmicas no País, a redução da maioridade penal também foi alvo de questionamento pelo Datafolha. Criticada por especialistas por não representar uma alternativa eficaz para redução da criminalidade, a defesa de que haja uma diminuição da idade para punir aqueles que infringirem a lei alcançou o apoio de 70% dos ouvidos pela pesquisa.

Na pesquisa feita em 2022, o índice daqueles que defendiam que adolescentes fossem punidos com as mesmas balizas legais aplicadas a adultos era de 65%.

Preconceito contra a homossexualidade

A pesquisa ouviu os brasileiros sobre a aceitação à homossexualidade. Para questionar sobre o tema, o Datafolha pergunta se as pessoas concordam ou discordam da afirmação "a homossexualidade deve ser aceita por toda a sociedade".

O porcentual de pessoas que concordavam com a frase caiu de 2022 para 2026, passando de 79% naquele ano para 72% neste ano. Considerando o recorte religioso: entre os católicos, 75% afirmam que a homossexualidade deve ser aceitar. Já entre os evangélicos, o porcentual é de 61%.

Dependência do governo

Os brasileiros foram consultados sobre a visão a respeito da dependência do governo federal. Ambas as afirmações utilizadas pela pesquisa para mensurar esse aspecto mostraram que a população considera positiva uma menor dependência.

Sessenta e cinco por cento concordaram com a frase "quanto menos eu depender do governo, melhor estará minha vida". Em 2022, o porcentual de concordância era 58%.

Em relação à afirmação "quanto mais benefícios do governo eu tiver, melhor estará minha vida", 31% estiveram de acordo. Em 2022, o índice era de 38%.