Polícia ainda não concluiu laudo sobre morte de Tainá Yarina e realiza exames complementares
O principal investigado é o advogado Wlandre Gomes Leal, companheiro da vítima, que está preso temporariamente por suspeita de feminicídio
A Polícia Científica do Pará informou que ainda não concluiu o laudo pericial que irá apontar a causa da morte de Tainá Yarina dos Santos Cardoso, de 29 anos, encontrada morta em um apartamento em Santarém, no oeste do Pará. Segundo o órgão, o documento depende da realização de exames complementares e permanece dentro do prazo legal para conclusão.
A informação foi divulgada em nota nesta quarta-feira (29), enquanto a investigação conduzida pela Polícia Civil segue em andamento. O principal investigado é o advogado Wlandre Gomes Leal, companheiro da vítima, que está preso temporariamente por suspeita de feminicídio.
De acordo com a Polícia Científica, “o laudo pericial ainda não foi concluído, pois depende da realização de exames complementares. O prazo legal para a emissão do documento é de até 10 dias, podendo ser prorrogado por igual período ou pelo tempo necessário, conforme a complexidade do caso”.
Advogado foi transferido para unidade prisional em Santa Izabel
Enquanto as investigações prosseguem, Wlandre Gomes Leal já foi transferido para a Unidade de Custódia e Reinserção (UCR) da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), em Santa Izabel do Pará, na Região Metropolitana de Belém. A transferência foi realizada na tarde de terça-feira (28), por determinação da Justiça.
A Seap informou que o investigado permanece à disposição do Poder Judiciário. A transferência foi autorizada pelo juiz Sidney Pomar Falcão, da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
Na segunda-feira (27), a defesa havia solicitado que Wlandre permanecesse preso em Santarém, pedido inicialmente aceito pela Justiça. No dia seguinte, entretanto, os advogados mudaram de posicionamento e requereram a transferência para Belém, solicitação novamente deferida pelo magistrado.
Até então, o advogado permanecia custodiado na Central de Custódia Provisória de Santarém, em cela individualizada e separada dos demais presos. Segundo a Seap, todas as prerrogativas legais asseguradas aos advogados foram respeitadas durante o período em que ele permaneceu na unidade.
Em nota, a defesa informou que a transferência foi solicitada porque a capital dispõe de estrutura equivalente à Sala de Estado-Maior, prevista no Estatuto da Advocacia para profissionais regularmente inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo os advogados, a mudança também evita eventuais questionamentos sobre a legalidade da custódia.
Investigação
Wlandre Gomes Leal foi preso na noite de 19 de julho. Inicialmente, ele informou à Polícia Civil que a companheira teria tirado a própria vida. No decorrer das investigações, porém, essa versão passou a ser contestada pelos primeiros elementos reunidos pela polícia.
Segundo a investigação, inconsistências no relato apresentado pelo advogado, a natureza do ferimento encontrado no tórax de Tainá e os vestígios recolhidos no apartamento motivaram a prisão em flagrante por suspeita de feminicídio, posteriormente convertida em prisão temporária.
O delegado Kleidson Castro informou à imprensa de Santarém que o estado do sangue encontrado no imóvel, o intervalo entre o ocorrido e o acionamento do socorro, além das características da lesão sofrida pela vítima, levantaram dúvidas sobre a dinâmica apresentada pelo investigado.
A Polícia Civil também apura relatos de possíveis episódios anteriores de violência doméstica envolvendo o casal.
A defesa de Wlandre Gomes Leal informou que somente irá se manifestar sobre o mérito das investigações e sobre as declarações da família após a conclusão dos laudos periciais, reiterando que aguarda as provas técnicas produzidas durante o inquérito.
Em nota, a Polícia Civil informou que “o investigado permanece preso temporariament” e que “o inquérito policial tramita dentro do prazo legal, aguardando a juntada dos laudos periciais”.
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