Funcionário mata patrão após "piada" LGBTIfóbica em Itaituba

No cenário de LGBTIfobia do país, dois heterossexuais se envolvem numa briga fatal por acharem que "gay" é uma ofensa

Victor Furtado

Josean Silva de Abreu, de 45 anos, foi assassinado em Itaituba. Quem o matou, a tiros, foi um funcionário dele, Idelmar Gomes Pereira, conhecido como "Cuiabano". O homem se entregou, espontaneamente, à Polícia Civil e confessou o crime. Tudo ocorreu na manhã deste sábado (16). E porque o patrão chamou o réu confesso de "gay". A LGBTIfobia é tão estruturada no Brasil que ser chamado de gay é considerado uma ofensa e passível de punições até letais.

As duas pessoas heterossexuais envolvidas na briga trabalhavam numa oficina, em Itaituba mesmo, na esquina da Sétima rua com a travessa Justo Chermont, bairro Bela Vista. Ainda não ficou bem explicado em que contexto ocorreu o diálogo no qual Josean fez o comentário que tanto desagradou Idelmar. Mas o crime ocorreu logo que a oficina estava abrindo, aproximadamente às 8h.

Idelmar usou uma espingarda que costumava expor em fotos, nas redes sociais digitais. A arma foi apreendida e será periciada. Tanto assassino quanto a vítima tinham perfil de fazer "piadas" preconceituosas. Algo que ainda é muito comum no Brasil. O réu confesso foi preso preventivamente, enquanto a Polícia Civil conclui as investigações. Mas trata-se de um homicídio doloso, sem chance de defesa, por um motivo banal.

Idelmar, o "Cuiabano", confessou ter matado o patrão por ter sido chamado de "gay". (Plantão 24 Horas News)

A LGBTIfobia mata. E dessa vez matou uma pessoa heterossexual. Dados cruzados de entidades e do IBGE apontam que entre 14% e 16,5% da população brasileira é LGBTI+, sendo 10% gays, 6% lésbicas e 0,5% trans. Mas esses dados, até hoje, não têm base sólida e confiável e já estão muito defasados. Acredita-se que muita gente nem esteja representada, já que faltam também bissexuais e intersexos. Muitas pessoas podem nem querer se identificar como LGBTI+ por medo ou preconceitos consigo mesmos.

O Brasil é o país que mais mata pessoas a população LGBTI+ no mundo. Principalmente pessoas trans, segundo a ONG Transgender Europe. Curiosamente, é um dos países que mais consome pornografia LGBTI+ no planeta, também ressalta a ONG. Uma conta difícil de entender. Se Josean e Idelmar não achassem que "gay" é uma ofensa, ambos seguiriam vivendo normalmente. O patrão vivo e o funcionário em liberdade.

Polícia
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