Condutor de moto aquática bate em lancha parada e foge sem prestar assistência no Combu
Motor danificado foi comprado com esforço de moradora, que juntou economias para adquirir o equipamento, há menos de um mês
Um casal em uma moto aquática causou um acidente na ilha do Combu, por volta das 18h, no último sábado (19). A moto bateu contra uma lancha de transporte de passageiros, que estava parada no porto do morador. Os causadores do acidente fugiram sem prestar auxílio à proprietária do barco Rosalina Conceição Trindade, de 60 anos. A moradora, que fez aniversário neste domingo (20), ficou em choque com o acidente, pois o motor tem menos de um mês de uso e foi comprado com muito esforço.
A proprietária do barco Rosalina Trindade conta ter ficado em choque com o acidente e ainda não conseguiu registrar a ocorrência policial sobre o caso. “Eu fiquei em choque, porque o meu motor está na experiência ainda. Ele está com 23 dias. É um produto muito caro para nós moradores da ilha, para qualquer pessoa é bem caro. Eu fiquei em choque ao pensar que venho fazendo essa economia há um tempo, para chegar a ter motor novo e acontecer um acidente desse no porto”, lamentou.
O vídeo de uma câmera de segurança mostra o momento em que o casal da moto aquática bate no motor, depois desvia e vai embora, acompanhados por outra moto. Alguns moradores que foram testemunhas do acidente ainda gritam para o condutor esperar, mas ele vai embora.
De acordo com Rosalina e outros moradores da ilha do Combu, os acidentes e infrações de veículos aquáticos na localidade tem sido frequentes. O tráfego de veículos em alta velocidade tem mudado a vida dos moradores, como a impossibilidade de utilizarem as tradicionais canoas para se locomoverem nas águas. “Esses acidentes já vêm acontecendo com muito descontrole, inclusive, nós nem usamos mais os veículos que sempre eram usados na ilha, que eram os cascos, as canoas que nós remávamos. Hoje em dia não temos mais esses veículos, porque virou uma peça chave de morte para matarem a gente em batida”, apontou.
Um mecânico do espaço náutico da cooperativa dos barqueiros fará uma avaliação sobre o prejuízo da batida no motor nesta segunda-feira (21). “Eu já vou começar a ter o meu dia com os gastos desse prejuízo, porque eu vou começar com uma lancha alugada amanhã para levar o motor e no final da tarde terei uma resposta”, contou Rosalina, ainda desolada.
ROTINA - Essa não é a primeira vez que moradores do Combu denunciam os riscos de lanchas e moto aquáticas trafegando em alta velocidade pela região. Ao longo dos últimos anos vários acidentes têm ocorrido na localidade, inclusive com mortes, e foram noticiados pelo Grupo Liberal. Em maio deste ano, a advogada Anna Carolina Novaes Pessoa, de 46 anos, perdeu a vida após um acidente com moto aquática no Combu.
Já em abril de 2025, um homem ficou ferido na colisão entre uma moto aquática e uma lancha de pequeno na área do Furo da Paciência, na ilha do Combu. A vítima era condutor da lancha. Há dois anos, outro acidente foi registrado também de colisão entre uma moto aquática e uma lancha na entrada da ilha do Combu. O caso ocorreu no furo da Paciência e, em meio ao acidente, alguns passageiros caíram de uma das embarcações. Ninguém ficou ferido.
RESPOSTA - A Marinha do Brasil (MB), por meio da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental (CPAOR), informou que acompanha a ocorrência envolvendo uma moto aquática, registrada neste sábado (19), na Ilha do Combu, em Belém (PA). “A partir das informações recebidas, a CPAOR estabeleceu contato com o Centro Integrado de Operações (CIOP) para reunir os dados disponíveis e obter maiores esclarecimentos sobre as circunstâncias do ocorrido”, diz em nota.
O órgão informou ainda que “no âmbito de suas atribuições como Autoridade Marítima, a CPAOR mantém ações permanentes de fiscalização do tráfego aquaviário nas vias navegáveis sob sua jurisdição, abrangendo a Região Metropolitana de Belém, inclusive na Ilha do Combu e municípios do interior. O trabalho tem como foco a salvaguarda da vida humana, a segurança da navegação e a prevenção da poluição hídrica por embarcações”.
“Durante essas ações, os Inspetores Navais verificam, entre outros aspectos, a documentação das embarcações e de seus tripulantes, as condições de navegabilidade, os instrumentos de navegação e os equipamentos de segurança e salvatagem. Nos casos em que são identificadas irregularidades, são adotadas as medidas administrativas previstas nas normas em vigor, de acordo com a natureza e a gravidade de cada situação”, informa.
A Marinha do Brasil reforçou a importância da participação da sociedade na segurança da navegação e mantém à disposição o Disque Emergências Marítimas e Fluviais (185), além dos canais da CPAOR: (91) 3218-3953 e (91) 98134-3000 (aplicativo de mensagens instantâneas). Por esses meios, podem ser comunicadas situações que representem risco à vida humana, à segurança da navegação ou ao meio ambiente
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