Assaltos a banco estilo "novo cangaço" diminuem 80% no Pará

Também conhecidos como "vapor", os roubos cinematográficos e violentos a bancos tiveram uma queda brusca de registros no primeiro semestre

Victor Furtado

Os assaltos a banco estilo vapor ou novo cangaço — ações rápidas, violentas, com muitos disparos de armas de fogo, tomada de reféns e uso de explosivos — tiveram uma redução de 80%, de janeiro a junho deste ano, em comparação ao mesmo período, em 2019. Em um semestre, foram registradas duas ocorrências. Nos anos anteriores, chegou a ocorrer até um crime desses por mês. Uma média dos registros que chegavam à redação integrada de O Liberal.

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Os levantamentos deste ano são da Delegacia de Repressão a Roubos a Banco e Antissequestro, vinculada à Divisão de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Pará. O delegado titular da unidade, Fausto Bulcão, diz que o sucesso das operações e investigações, que resultaram na prevenção de novos crimes, é reflexo de novos investimentos em pessoal e estrutura. Entre as mudanças, o número de delegados e investigadores triplicou.

Esse termo "novo cangaço" ou "vapor" começou a ser usado no Pará nos anos 2000. Isso porque lembra muito como os antigos cangaceiros atuavam: chegavam em cidades mais pobres, onde a estrutura de segurança é mais frágil, e saqueavam tudo de forma violenta. Não é muito diferente do modus operandi atual, que já se espalhou por todas as regiões do Brasil.

Os bandidos chegam em grupos grandes, com vários veículos, e com tarefas bem divididas. Nos ataques, as quadrilhas  fazem reféns e muitos disparos e usam explosivos. Isso deixa a população em pânico, que não sai às ruas e evita testemunhas oculares. Os quartéis da Polícia Militar e delegacias também são postas sob ataque para dificultar a resposta das forças de segurança. Tudo é feito em pouco tempo. Daí o termo "vapor".

As duas ocorrências deste primeiro semestre de 2020 se deram em Ipixuna do Pará, nordeste paraense, em 30 de janeiro; e em São Domingos do Capim, na mesma região, no dia 3 de abril. Ambas já foram elucidadas, com a prisão de praticamente todos os envolvidos. Além disso, a Polícia Civil prendeu 35 pessoas, apreendeu 13 armas de fogo e 120 emulsões explosivas e recuperou R$ 140 mil.

Por conta da pandemia de covid-19, o número de casos não aumentou. “A circulação de valores foi maior em decorrência do auxílio emergencial. O comportamento de queda começou a se apresentar antes de março, quando tínhamos apenas uma ação até então. Em 3 de abril, ocorreu uma situação. Sabemos de outras que estavam sendo planejadas, mas com as investigações anteriores avançadas, conseguimos evitar”, comentou o delegado Fausto.

Em Moju, no Baixo Tocantins, quatro integrantes de uma quadrilha que se preparava para atacar uma agência na cidade foram presos. Com eles, foram apreendidos quatro fuzis. “As quadrilhas vêm sendo desarticuladas desde o ano passado, com integrantes presos e responsabilizados e armamentos e veículos apreendidos. Quando se tira o criminoso da rua e se retira dele a estrutura, torna-se dificultoso para que ele retorne ou os comparsas se organizem para um novo crime”, conclui o delegado.

Polícia
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