Policial Civil que matou advogado a tiros em Belém é afastado das funções
Servidor da Coordenadoria de Operações Especiais prestou depoimento e foi liberado, enquanto a defesa alega legítima defesa.
O investigador José Tiago Barros da Costa, da Polícia Civil, foi afastado de suas funções. Ele é suspeito de matar o advogado criminalista Carlos Alberto dos Santos Costa Júnior em Belém. Segundo nota, o servidor ficará restrito a atividades administrativas.
O crime aconteceu na madrugada de domingo (30/11), em frente a uma casa de festas localizada na avenida Rodolfo Chermont, próximo à rua da Marinha, no bairro da Marambaia. O suspeito deixou o local logo após o assassinato.
José Tiago Barros da Costa faz parte da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil (Core PC). Na segunda-feira (1º/12), ele prestou depoimento na Divisão de Crimes Funcionais (Decrif) e foi liberado em seguida.
Defesa alega legítima defesa
A defesa do policial suspeito, representada pelo advogado Eduardo Monteiro, alega que o servidor se defendeu da agressão de Carlos Alberto. Os relatos de testemunhas e vídeos de câmeras de segurança demonstrariam que José Tiago tentou apenas se defender.
“Uma família destruída”, diz advogado da família da vítima
Os advogados que acompanham a família do advogado morto conversaram com a reportagem do Grupo Liberal na tarde desta terça-feira (2). Fabrício Saldanha destacou o sofrimento dos familiares. “É uma família destruída, sofrendo com a ausência. O Carlos era um advogado atuante há mais de 10 anos de OAB. Um jovem de 36 anos, formado desde os 26, trabalhador. A mãe está destruída, sentindo a falta do filho que não vai ver mais”, lamentou.
Saldanha afirmou que a defesa busca justiça, e não punição desmedida. “Não queremos confundir justiça com punitivismo. Nossa demanda é buscar a justiça. Se verificarmos que Tiago foi culpado, vamos trabalhar para que ele seja responsabilizado, como faríamos com qualquer cliente”, comentou.
O advogado Faulz Sauaia, que também representa a família, disse que a habilitação formal da assistência será feita nesta quarta (3), quando terão acesso aos autos. Ele adiantou que a defesa vai solicitar oitivas de testemunhas e a prisão do policial, por entender que as medidas adotadas até agora são insuficientes.
“Só afastá-lo da sua atividade diária é muito pouco. Ele tem acesso a mecanismos e sistemas. O modus operandi demonstra frieza, irresponsabilidade com a vida humana e não é o que se espera de um agente de segurança pública”, afirmou.
Sauaia detalhou o caminho do processo e antecipou que a defesa deve atuar com a tese de homicídio doloso qualificado, por impossibilidade de defesa da vítima e por motivo fútil ou torpe. “Ninguém espera que uma discussão gere dois tiros no peito. Agiu como um cidadão sem preparo”, falou.
VEJA MAIS
Início da confusão
Informações levantadas pela reportagem apontam que a confusão começou dentro do estabelecimento. O policial teria supostamente olhado para a esposa do advogado, que se dirigiu à mesa do servidor para tirar satisfação.
A discussão continuou na área externa da casa de festas. Do lado de fora, segundo relatos preliminares de testemunhas, Carlos Alberto teria avançado em direção ao policial segurando uma garrafa de vidro.
O investigador tentou correr, mas o advogado se aproximou novamente. Nesse momento, o policial sacou a arma e efetuou os disparos que atingiram e mataram o advogado no local.
Câmeras de segurança próximas ao local do crime registraram o momento em que o policial, vestindo camisa vermelha, foi retirado da área por outras pessoas logo após os tiros. As imagens não mostram para onde ele foi levado.
Equipes da Polícia Científica foram acionadas para realizar a perícia no local e remover o corpo. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para os procedimentos necessários antes da liberação à família.
Palavras-chave