Polícia investiga supostos casos abordagem a crianças em Marabá; não há registro de vítimas
Suspeitas ganharam força nas redes sociais com relatos de que homens em veículos pretos estariam oferecendo doces e caronas para crianças nas ruas
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar denúncias sobre supostas tentativas de aliciamento de crianças em diversos bairros do núcleo Cidade Nova, em Marabá. O caso, que ganhou forte repercussão nas redes sociais nos últimos dias, envolve ocupantes de dois veículos — um modelo Jeep Renegade e outro Toyota Hilux — que estariam oferecendo doces e lanches aos pequenos.
Apesar do alerta gerado entre pais e responsáveis, as autoridades reforçam um ponto crucial: até o momento, não há qualquer registro de sequestro, desaparecimento, abuso sexual ou tentativa de retirada forçada de crianças relacionado aos suspeitos.
Tudo começou na última terça-feira (21), após denúncias via 192. A Polícia Militar localizou um Jeep Renegade preto na Avenida Boa Esperança. O condutor foi detido e levado à delegacia de Polícia Civil. No interior do veículo, foram encontrados doces, pipocas e bebidas lácteas. Em depoimento, o homem confirmou que circulava pelos bairros, mas alegou que realizava uma ação social por iniciativa própria.
Segundo a delegada Simone Felinto, diretora da 21ª Seccional, o suspeito foi liberado por não haver elementos legais que sustentassem uma prisão. "Certo é que até agora não apareceu nenhuma vítima que relate subtração de criança, sequestro de criança ou abuso sexual. Por isso, essa pessoa não ficou presa em flagrante, porque nós não temos, até o momento, a materialidade delitiva", explicou a delegada.
A investigação agora foca em depoimentos colhidos pelas equipes da Deaca (Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescentes). Até agora, o que se tem são relatos de abordagens com oferecimento de guloseimas. Um dos responsáveis por uma criança abordada pelos suspeitos já foi ouvido pelas autoridades e confirmou a versão que consta em depoimento, relatando que a criança recebeu apenas doces, sem qualquer tentativa de violência ou coerção.
Alerta contra o "tribunal da internet"
A repercussão do caso nas redes sociais pode trazer ainda consequências para terceiros. O proprietário de uma Toyota Hilux, que teve a imagem de seu carro viralizada como "veículo suspeito", registrou boletim de ocorrência por calúnia. Ele afirma trabalhar há 16 anos na região e nega qualquer envolvimento com os relatos.
A delegada Simone Felinto fez um apelo à população para que evite a divulgação indiscriminada de placas e imagens sem confirmação oficial. "Têm pessoas honestas, justas, que fazem trabalho social de distribuição. A gente precisa ter cautela para que não seja uma questão equivocada e possamos colocar em risco pessoas que não são criminosas".
Palavras-chave