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Operação mira grupo que fraudava benefícios do INSS no Pará e em mais dois estados

A investigação aponta que o grupo realizava reativações indevidas de benefícios previdenciários por meio de acessos remotos aos sistemas do INSS, causando um prejuízo estimado em R$ 143 milhões

O Liberal

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (2) a operação Túnel Virtual para desarticular uma organização criminosa responsável por um esquema de fraudes contra a Previdência Social, com origem e desdobramentos no Pará. As investigações identificaram 7.017 reativações ilegais de benefícios do INSS, que haviam sido suspensos ou bloqueados, resultando em um prejuízo estimado em R$ 143 milhões aos cofres públicos.

As ordens judiciais, 13 mandados de busca e apreensão e 7 mandados de prisão preventiva, foram expedidas pela 3ª Vara Federal Criminal de Belém. As medidas foram cumpridas no Pará, São Paulo e Ceará.

De acordo com a PF, o grupo instalava dispositivos eletrônicos clandestinos em agências do INSS, utilizados como portas de acesso remoto aos sistemas internos da Previdência. Esses equipamentos permitiam que os criminosos operassem à distância, sem chamar atenção, utilizando ainda programas maliciosos capazes de capturar credenciais de servidores. Em alguns casos, servidores eram aliciados e recebiam altos valores em troca de senhas institucionais.

Com esse acesso privilegiado, os envolvidos conseguiam reativar benefícios de forma indevida, numa atuação descrita pela PF como estruturada e tecnicamente sofisticada, envolvendo divisão de funções e movimentações financeiras significativas.

A operação desta terça foi um desdobramento da Operação Átropos, deflagrada em 7 de outubro, que investigou fraudes em agências da Previdência em Alagoas, nas cidades de Coruripe e Porto Real do Colégio. Na etapa anterior, foram identificadas irregularidades na concessão, revisão, reabertura e desbloqueio de benefícios, com participação de um servidor público e advogados, além de indícios de coação de testemunhas no curso das investigações. A Átropos já havia apontado prejuízo superior a R$ 1 milhão.

A Túnel Virtual foi realizada em parceria com a Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social (CGINP/MPS), que detectou acessos suspeitos e movimentações incompatíveis com a rotina de servidores, reforçando a necessidade de atuação conjunta para conter fraudes estruturadas que impactam diretamente os recursos da seguridade social.