Morre motociclista atingido por promotor de Justiça em Belém; família pede justiça
Ricardo Felipe do Rosário Rodrigues, de 27 anos, morreu na madrugada deste sábado (13/6), 19 dias depois de ser atingido por um carro na Augusto Montenegro
Ricardo Felipe do Rosário Rodrigues, de 27 anos, morreu na madrugada deste sábado (13/6), 19 dias depois de ser atingido por um carro em Belém. O acidente em questão ocorreu no dia 25 de maio, na avenida Augusto Montenegro, no bairro do Mangueirão. A vítima conduzia uma motocicleta quando um carro a atingiu. A família de Ricardo diz que o automóvel era conduzido pelo promotor de Justiça Jayme Ferreira Bastos Filho, que fugiu do local sem prestar ajuda ao rapaz.
O atropelamento foi registrado pela câmera de um veículo que seguia pela via no dia do ocorrido. Pelas imagens, é possível identificar o carro que acertou Ricardo, de cor prata. Após bater na vítima, o automóvel segue caminho, enquanto outras pessoas param para ajudar o motociclista. Os condutores chamam a atenção de uma viatura da Polícia Militar, que passa pela faixa expressa da Augusto Montenegro, para informar o que tinha acontecido.
Família dá mais detalhes
Desde o acidente, o rapaz ficou internado no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua. Ananda Mesquita, irmã de Ricardo, disse que, com a batida, o irmão teve uma hemorragia no tórax, perfuração no pulmão e sangramento na cabeça, região que foi submetida a cirurgia.
“Desde então, ele ficou na UTI direto em coma induzido. Ele não tinha estabilidade para tirar a sedação. E todo esse período de internação foi piorando a situação. Nesta madrugada, ele, infelizmente, faleceu”, contou.
Segundo ela, o promotor Jayme teria alegado que não era culpado e oferecido à mãe dela um recibo no valor de R$ 1.620 para ajudar no tratamento médico de Ricardo, contanto que assinasse um recibo “a título de liberalidade e sem reconhecimento de culpa”. “Ela (mãe) não assinou o papel, sendo que está timbrado com o logo do MPPA (Ministério Público do Pará), e ele estava resolvendo uma causa pessoal, o que a gente sabe que é totalmente moral e ilegal. Depois disso, ela falou que não tinha como, ele (Ricardo) era provedor da casa, tinha um filho de dois anos e era autônomo”, informou Ananda.
“Fizemos uma proposta formal sobre os custos do tratamento e ele (promotor) ofereceu R$ 10 mil. Só que, no nosso documento, a questão não era o dinheiro, e sim ele se responsabilizar para que, até o fim do tratamento, ele ajudasse com a questão mensal, porque ele (Ricardo) tem um filho, custeava a casa e outras coisas, já que estaria no hospital, e por todo o tratamento, caso o meu irmão saísse do hospital, precisasse de terapia, o que não aconteceu. É um absurdo sem tamanho essa história”, acrescentou.
Os familiares relataram que o corpo de Ricardo será levado para Gurupi, divisão do Pará com o Maranhão, para a realização dos ritos fúnebres. A Redação Integrada de O Liberal solicitou um posicionamento do MPPA sobre o caso. A reportagem aguarda retorno. O Grupo Liberal também tenta localizar a defesa do promotor de Justiça Jayme Filho. O espaço segue aberto.
Em nota, a Polícia Civil informou que o caso foi registrado na Seccional da Marambaia, "onde foram adotadas as medidas preliminares de requisição de perícias e oitivas de testemunhas. Em seguida, o procedimento foi encaminhado à Procuradoria Geral do Ministério Público, órgão competente para a apuração do caso".
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