Menino achado morto em mala morreu por asfixia e sofreu abuso sexual, diz perícia
O inquérito policial permanece em andamento e a investigação ainda não foi finalizada
O laudo pericial sobre a morte do menino Paulo Guilherme Guerra, de 6 anos, foi concluído pela Polícia Científica do Pará cerca de quatro meses após o crime. O documento indica que a causa da morte foi asfixia mecânica. Também consta no exame que ele sofreu abuso sexual. As informações foram divulgadas pela Polícia Civil nesta quinta-feira (12).
Segundo o delegado Egídio Queiroz, da Delegacia de Homicídios da PC, responsável pelo caso, o exame necroscópico mostrou o que levou a morte da criança e também confirmou que ocorreu o estupro de vulnerável.
“O laudo é conclusivo com relação à causa da morte do menor e também confirma que houve abuso sexual. A causa foi asfixia mecânica das vias aéreas superiores, ou seja, o investigado tampou o nariz e a boca da criança, o que provocou a morte. E também foi confirmado o abuso sexual porque tinham duas lesões recentes na região retal da criança e também líquido prostático no reto”, detalhou.
As investigações também permitiram reconstituir a dinâmica do crime. Segundo o delegado Egídio Queiroz, o menino foi atraído para a casa do suspeito e permaneceu no local por algumas horas.
“O menor foi chamado para a residência do investigado por algum artifício e permaneceu lá entre duas e três horas. Ele já saiu sem vida por volta de meia-noite, quando o suspeito deixou a casa com uma carrocinha para fazer o descarte do corpo nas proximidades de um cemitério.”
Investigação
O delegado Egídio Queiroz explicou que a autoria do crime foi confirmada a partir de um conjunto de provas, incluindo imagens de câmeras de segurança, testemunhos e análise de objetos. Ele confirmou que George Hamilton dos Santos Gonçalves, que trabalhava como catador de lixo e residia nas proximidades da casa da vítima, é o autor do abuso e homicídio.
“Coletamos imagens de todo o trajeto feito para o descarte. O George Hamilton estava com o rosto coberto, usando uma blusa azul com capuz, levando uma carrocinha e acompanhado de um cachorro. Duas testemunhas reconheceram a movimentação estranha naquela noite e descreveram exatamente as roupas e o comportamento dele”, disse.
Conforme o delegado, uma das testemunhas, vizinha do suspeito, relatou que ele saiu de casa por volta da meia-noite com a carrocinha, algo incomum. Outra pessoa afirmou tê-lo visto do outro lado de um canal empurrando o carrinho com uma mala e apresentando comportamento diferente do habitual.
Segundo o delegado, as características do cachorro, da carrocinha e das roupas foram compatíveis com as imagens obtidas. A mala utilizada no descarte também foi reconhecida por familiares como pertencente ao suspeito. “Todas essas provas levaram à confirmação da autoria de forma indiscutível."
Ainda conforme a investigação, o suspeito já possuía antecedentes por crimes semelhantes, incluindo um caso anterior de abuso seguido de morte. “A gente teve que fazer o perfil do suspeito e encontramos dois casos semelhantes que levaram a prisão dele. Um ainda em 2004, em que ele foi preso em flagrante por ter abusado de menor. E esse evento também foi qualificado pela morte da menor. O suspeito ficou preso até 2011. Depois ele saiu através do benefício da saída temporária e não retornou mais ao sistema penitenciário. Só foi preso novamente em 2016, quando também foi autuado em flagrante por outro estupro de vulnerável”, comentou Egídio Queiroz.
Dentro da mala onde o corpo foi encontrado, havia uma luva de boxe. A polícia trabalha com uma hipótese, mas sem confirmação. “Acredita-se, de forma hipotética, que a luva tenha sido usada como um chamariz para atrair o menor, já que ele gostava de boxe, mas isso não pode ser confirmado”, finalizou o delegado.
Relembre o caso
Paulo Guilherme desapareceu na noite de 26 de outubro de 2025, nas proximidades da passagem Curuzú, no bairro da Marambaia, em Belém. Após o sumiço, familiares comunicaram o caso e, junto a moradores da área, iniciaram buscas pela criança.
O corpo do menino foi encontrado na manhã do dia seguinte, 27 de outubro, dentro de uma mala deixada em frente ao Cemitério São Jorge, na mesma região. A mala foi localizada por um morador que passava pelo local e acionou a Polícia Militar. Peritos da Polícia Científica estiveram na cena, onde realizaram os levantamentos necessários e recolheram vestígios que podem contribuir para o esclarecimento do crime.
Luva de boxe e suspeito morto
Durante os trabalhos periciais, os investigadores localizaram uma luva de boxe no interior da mala. Amostras de material genético foram recolhidas no objeto, na própria bagagem e também nas alças. Todo o material foi encaminhado para exames laboratoriais.
Poucas horas após o corpo ser localizado, um catador de materiais recicláveis, morador da mesma área e apontado como principal suspeito, foi agredido por um grupo de pessoas e acabou morrendo no local. A casa dele também foi submetida à perícia.
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