MENU

BUSCA

Mais de 1,5 mil casos de roubo à mão armada são registrados por mês no Pará

O titular da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), Ed-lin Anselmo de Lima, disse que o investimento nas forças de segurança pública é uma das principais estratégias adotadas pelo Governo do Pará. Em 2025, as ocorrências caíram 15,41% em comparação com 2024

Saul Anjos e Ana Laura Carvalho

No Pará, uma média de 1.572 casos de roubos à mão armada são registrados por mês. Segundo a definição jurídica, esse crime acontece com a utilização de armas — de fogo ou branca — em que o autor intimida ou ataca a vítima para subtrair bens dela. Essa média é calculada do total de registrados em 2025. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), foram registradas 18.864 ocorrências dessa natureza no ano passado. Em contrapartida, o total de registros desses delitos diminuiu 15,41% em comparação com o mesmo período de 2024, que foi 22.301, conforme a Segup. O titular da Secretaria enfatizou que essa redução é fruto de investimentos nas forças de segurança pública.

Só nos cinco primeiros meses de 2026, a Segup já contabilizou 5.633 casos desse mesmo crime. Entre os casos mais recentes, está a prisão feita pela Polícia Militar de um homem suspeito de assaltar uma mulher no bairro do Bengui, em Belém.  O caso ganhou repercussão após a vítima ser agredida com uma coronhada na cabeça ao tentar impedir o roubo do próprio celular, na última segunda-feira (1º/6).

Outro roubo registrado ocorreu na última quinta (4/6). Dois homens assaltaram um posto de combustíveis localizado às margens da rodovia BR-316, em Castanhal, no nordeste do Pará. A ação foi registrada por uma câmera de segurança.

Fora da Região Metropolitana de Belém, um estabelecimento comercial foi roubado por homens armados que invadiram o local. Isso aconteceu no dia 27 do mês passado, na Vila Maiauatá, no município de Igarapé-Miri, nordeste paraense.

Ainda em maio deste ano, um homem e um adolescente armados e encapuzados tentaram assaltar supermercado em Anajás, no Pará. Os funcionários do local — um deles com um terçado em mãos — reagiram e conseguiram render um dos suspeitos. Segundo a PC, o adolescente foi ferido pelo trabalhador que estava com o facão.

Estratégias do estado

O titular da Segup, Ed-lin Anselmo de Lima, explicou que a estratégia adotada pelo estado para diminuir os casos de assalto à mão armada foi o aumento no investimento nas polícias Civil e Militar.

“Recentemente, a governadora (Hana Ghassan) chamou mais efetivo policial para estar nas ruas (aprovados no concurso público da Polícia Militar de 2023), o que leva mais segurança e fiscalização. Tivemos um acréscimo de viaturas nas ruas. E as investigações são decorrentes dos crimes que são cometidos. Ano passado, tivemos a devolução de mais de 5 mil aparelhos, que foram roubados e furtados. Tudo isso gera investigação”, disse.

Sobre as apurações policiais, Ed-lin destacou a operação deflagrada pela Polícia Civil, chamada de “Mãos de Magneto”, que tem o objetivo de apreender celulares provenientes de furto ou roubo. Segundo ele, essa ação acontecerá no maior São João da Amazônia, o Parárraiá, que iniciou na última sexta-feira (5/6), em Belém.

“É uma operação que vai justamente nesses grupos que vão a grandes eventos para cometer delitos. Conseguimos verificar quadrilhas que vêm de outros estados para cá e também iam daqui para outros locais. A estratégia é atacar o crime onde eles mais têm lucro, que é na revenda de celular”, detalhou.

Criminosos buscam revender bens roubados

O secretário informou que, com o assalto, os criminosos buscam a venda do material subtraído, seja aparelho telefônico ou cordão de ouro. “O roubo, quando classificado como roubo à mão armada, é com uso de violência e arma de fogo. O criminoso pega cordão de ouro ou relógio e vende. A maioria dos casos está relacionada com a compra da droga e de aferir lucro para a pessoa se ‘sustentar’ naquele crime”, afirmou.

A utilização da tecnologia, principalmente de câmeras de segurança, ajuda na identificação dos envolvidos no crime. “Hoje temos mais de mil câmeras espalhadas no nosso estado, que facilitam a investigação. Com a ajuda delas e das câmeras de moradores, a Polícia Civil consegue identificar, por meio do nosso banco de dados, pessoas que já são conhecidas e presas recorrentemente por esse tipo de prática a partir de características, tatuagens e roupas. (...) Trabalhamos para aperfeiçoar o trabalho e investir mais em segurança, na capacitação dos nossos policiais. E isso está fazendo diferença, e vamos conseguir números melhores daqui para frente”, afirmou.

População precisa estar vigilante

Anselmo alertou que as pessoas precisam é ter vigilância, principalmente com a utilização do celular. “Vivemos num momento em que todos usam celular e se desligam. Precisa ter atenção o tempo todo, verificar algo suspeito que lhe cause preocupação. Analisar o ambiente e ver se é um local soturno, se tem alguém na rua. Se estiver parado na frente de casa e vir uma moto ou bicicleta que lhe assuste, antecipe-se e entre (no imóvel). Procurar, de alguma forma, alertar as outras pessoas em volta. Reagir não é a melhor opção. Caso aconteça de ter o seu bem subtraído, procure a polícia e ligue para o 190. "Tente passar o máximo de características para os policiais para que a gente possa ir atrás", orientou.

O secretário frisou a importância da realização de um boletim de ocorrência das vítimas dos assaltantes. “Em casos de roubo, aconselhamos que a pessoa vá a uma delegacia física. Cada bairro tem a sua delegacia. No centro, temos a Seccional de Brás, que funciona 24 horas, e, em Ananindeua, há a Seccional da Cidade Nova, que também é 24 horas. A delegacia virtual é um facilitador, (...) mas, se puder, faça um registro em uma delegacia física, porque, na entrevista com o policial, ele pode extrair alguns detalhes que a pessoa possa estar fazendo no registro na delegacia virtual”, concluiu.