Irmão da cantora Ruthetty é preso em Belém
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre a motivação da prisão
O policial militar Ivanildo Gomes dos Santos, irmão da cantora Rute Gomes dos Santos, conhecida artisticamente como Ruthetty, foi preso na noite desta quarta-feira (3), em Belém. De acordo com informações preliminares apuradas pela reportagem, a prisão ocorreu no quartel onde o militar atua. Após ser detido, ele foi encaminhado à Delegacia de Enfrentamento ao Feminicídio e Outras Mortes Violentas em Função de Gênero (Defem), que funciona na sede da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), localizada na travessa Mauriti, no bairro do Marco. As circunstâncias da prisão e os detalhes da investigação ainda não foram divulgados pela polícia.
Por volta das 21h15, Ivanildo Gomes dos Santos deixou a sede da Defem escoltado por policiais militares. Em seguida, ele foi encaminhado para a sede da Polícia Científica do Pará, onde seria submetido ao exame de corpo de delito, procedimento padrão em casos de cumprimento de mandados de prisão.
Na noite desta quarta-feira, uma irmã de Ruthetty esteve na delegacia acompanhando o caso. Em entrevista à reportagem, a mulher, identificada como Rosenilda Gomes, afirmou desconhecer os motivos que levaram o irmão à unidade policial e cobrou esclarecimentos sobre a investigação. “Eu não sei o que está se passando aí dentro. Cheguei agora e ainda não recebi nenhuma informação. Estou aqui até mesmo para defender o meu irmão, porque não sei por que ele está vindo para cá”, declarou. “Eu não sei o que está se passando aí dentro. Cheguei agora e ainda não recebi nenhuma informação. Estou aqui até mesmo para defender o meu irmão, porque não sei por que ele está vindo para cá”, declarou.
A familiar também questionou o andamento das investigações sobre a morte da cantora, encontrada sem vida em dezembro do ano passado dentro da residência onde morava, no bairro da Marambaia, em Belém. Segundo ela, a família nunca teve acesso a imagens que poderiam contribuir para o esclarecimento do caso. “Até hoje a gente não viu câmera nenhuma, não mostraram nada para a família. A gente sabia quem entrava e quem saía da casa da minha irmã. E até ele, que é policial, nunca teve acesso a essas imagens”, afirmou.
A irmã da artista relatou ainda que foi a primeira pessoa a encontrar Ruthetty morta e disse acreditar na inocência de Ivanildo. Ela também criticou a condução das investigações e questionou a falta de depoimentos de moradores da área onde a cantora vivia. “Fui eu que encontrei a minha irmã morta. Eu sei de muita coisa que aconteceu ali. Tinha vizinhos que não gostavam dela e até de mim. Eu queria saber por que essas pessoas nunca foram conduzidas para prestar depoimento. Até me acusaram de ter matado a minha irmã”, declarou.
A mulher afirmou que aguarda esclarecimentos da Polícia Civil tanto sobre a prisão do irmão quanto sobre o andamento do inquérito. “Ele é policial e jamais faria isso com a minha irmã. Eu ainda não sei o que está acontecendo. Vou procurar a delegada para entender o que está se passando, porque até agora ninguém me deu nenhuma informação”, disse.
Sobre a prisão de Ivanildo, a Polícia Civil confirmou que "cumpriu um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça, nesta quarta-feira (03), em Belém. As circunstâncias do caso são apuradas sob sigilo pela Delegacia de Enfrentamento ao Feminicídio e Outras Mortes Violentas em Função de Gênero (Defem)".
Delegado desaparecido
A prisão do irmão da cantora ocorre em meio a outro caso que mobiliza as forças de segurança do Pará e do Piauí: o desaparecimento do delegado da Polícia Civil e ex-prefeito de Igarapé-Açu, Ronaldo Lopes de Oliveira. Ele está desaparecido desde a última segunda-feira (1º).
O desaparecimento ocorreu em Teresina, cidade onde o delegado é natural. Ronaldo Lopes deveria retornar ao Pará nesta quarta-feira (3) para assumir o serviço na Seccional Urbana de Mosqueiro, da qual é titular, mas não compareceu.
Diante da falta de contato, familiares registraram um boletim de ocorrência e as buscas foram iniciadas. Até o momento, apenas o veículo utilizado pelo delegado foi localizado.
Ronaldo Lopes também atuou diretamente nas investigações da morte de Ruthetty. No dia 29 de abril deste ano, ele foi o responsável pela prisão de um homem identificado apenas como Giovani, apontado como suspeito de envolvimento no caso. Na ocasião, a Polícia Civil não divulgou detalhes sobre a participação do investigado na morte da cantora nem esclareceu qual teria sido o papel dele no crime.
Em relação ao desaparecimento do delegado, a Polícia Civil do Piauí informou que deu início ao procedimento investigativo de pessoa desaparecida. A Delegacia de Investigação de Desaparecimento de Pessoas (DESAP) do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) está responsável pelo caso.
Já a Polícia Civil do Pará informou “foi cientificada sobre o desaparecimento do delegado Ronaldo Lopes de Oliveira através da Polícia Civil do Piauí, que realiza as buscas”. “As instituições mantêm contato frequente para troca de informações. Qualquer notícia que possa levar à localização do delegado pode ser repassada através dos números 190 ou 181”, concluiu a PC.