'Hoje eu vivo um luto', diz vítima do cantor Bruno Mafra
Os crimes ocorreram entre 2007 e 2011, quando as vítimas tinham 5 e 9 anos de idade, e veio a público em 2019 quando o caso foi denunciado
“Hoje eu vivo um luto, porque hoje eu enterrei o meu genitor.” Foi assim que Melissa Apprigio iniciou o pronunciamento publicado nas redes sociais na noite desta sexta-feira (27), após o Tribunal de Justiça do Estado do Pará manter, por unanimidade, a condenação do cantor Bruno Mafra por estupro de vulnerável continuado contra duas crianças.
“Por muitos anos eu quis que fosse meu pai, tivesse tido esse papel na minha vida”, declarou. No vídeo, Melissa afirma que decidiu se posicionar diante da repercussão do caso e destacou a dificuldade em abordar o tema. “Hoje não é um assunto fácil, não é algo que eu consigo ainda falar de maneira que não me machuque”, disse.
Ela também relembrou o tempo de tramitação do processo: “Foram sete anos de luta para que a gente tivesse uma resposta”.
A vítima ressaltou que a decisão judicial representa um marco definitivo sobre o caso: “Eu gostaria de deixar claro que não é uma denúncia, não é uma suspeita, é uma condenação em segundo grau”.
“Uma condenação que foi de maneira unânime, pelo entendimento das desembargadoras”, acrescentou.
Melissa ainda comentou sobre a possibilidade de novos recursos por parte da defesa, mas afirmou que os fatos já não estão mais em discussão: “Há sim possibilidade de recurso, mas não se discute mais os fatos. O que aconteceu, aconteceu”.
Ao rebater críticas e especulações nas redes sociais, ela foi direta: “Eu fiquei calada por tanto tempo que agora eu não vou realmente me importar com esses comentários, porque eu sei a minha verdade e a Justiça reconhece a nossa verdade”.
No relato, a vítima também buscou encorajar outras pessoas: “É possível, sim, denunciar na fase adulta”.
“Você não é o abuso que você sofreu. Você não é a humilhação que você sofreu. Você é muito além disso. E existe esperança”, afirmou.
Ao final, resumiu o sentimento após a decisão judicial: “Hoje, mais uma vez, eu não comemoro. Hoje, eu sinto um alívio. Mas eu estou vivendo um luto”.
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