Golpes contra idosos: saiba identificar a fraude do falso funcionário do INSS
Criminosos têm se passado por servidores do órgão para enganar vítimas
Idosos têm sido as principais vítimas de criminosos que se passam por funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os golpistas enganam as pessoas com promessas falsas de revisão de benefícios, desbloqueio de pagamentos, restituição de valores descontados indevidamente ou liberação de dinheiro atrasado. A delegada da Polícia Civil Caroline Batista, da Delegacia de Proteção à Pessoa Idosa (DPPID), lista como identificar e denunciar os casos.
Os golpes seguem um padrão e exploram a confiança e as dificuldades que muitos idosos enfrentam no uso de aplicativos bancários e no acesso à informação. Um dos golpes mais recorrentes envolve ligações, mensagens ou contatos por redes sociais.
“O idoso recebe comunicação de alguém que se passa por funcionário do INSS e diz que ele teria direito a receber valores descontados indevidamente. Para isso, pedem que ele confirme dados pessoais e bancários”, afirma a delegada.
Segundo ela, esse tipo de abordagem nunca parte do INSS. “O banco não vai pedir para confirmar número de conta, valores ou dados cadastrais por telefone, WhatsApp ou redes sociais. Isso é um sinal claro de golpe”, garante.
Evitar prejuízos
A delegada reforça a importância do acompanhamento frequente da situação previdenciária. “A gente sempre orienta que o idoso consulte com regularidade o aplicativo oficial do Meu INSS. Lá é possível verificar empréstimos ativos e todos os descontos discriminados.”
Ela destaca que muitos só percebem o golpe tardiamente. “Em vários casos, o idoso registra ocorrência e, cerca de um mês depois, volta à delegacia porque só percebeu o desconto indevido quando recebeu a aposentadoria seguinte”, detalha Caroline Batista.
Golpes presenciais
Além das abordagens virtuais, há casos presenciais. “O funcionário do banco vai estar dentro do estabelecimento, com crachá. Não existe motivo para aceitar ajuda de estranhos fora da agência”, alerta.
Conforme Caroline Batista, é importante que as pessoas evitem tratar sobre os assuntos das transações bancárias com pessoas desconhecidas. “Temos muitos casos de pessoas que se passam por agentes facilitadores de empréstimo. Normalmente, abordam idosos na porta de agências bancárias e falam sobre a possibilidade de realizar um empréstimo consignado”, explica.
As promessas, segundo a delegada, costumam ser irreais. “São vantagens muito grandes, que não são críveis. Já tivemos casos em que prometeram que o idoso faria um empréstimo e, depois de uma simples portabilidade, não precisaria pagar nada. Isso não existe”, ressalta Caroline Batista.
Ela relata que, após conquistar a confiança da vítima, os criminosos conduzem o idoso até bancos menores ou financeiras. “Eles fazem o empréstimo consignado e o idoso não tem acesso a esses valores. O dinheiro é transferido via Pix ou sacado com o idoso acompanhado, mas fica nas mãos do golpista.”
Perfil das vítimas
A delegada explica que há um padrão entre as vítimas. “Normalmente são idosos que moram sozinhos ou com outro idoso e têm dificuldade para controlar a conta bancária pelo celular”, aponta.
Caroline Batista alerta para uma prática perigosa. “Há situações em que o golpista pega o celular do idoso e diz que vai ajudar. Nesse momento, cria contas bancárias, faz reconhecimento facial e tira fotos de documentos para abrir contas em nome da vítima”, alerta.
Golpes
De acordo com Caroline Batista, outro crime que chega com frequência à delegacia é o falso relacionamento virtual. “O golpista se aproxima pelas redes sociais, cria um vínculo de confiança e só depois começa a falar de dificuldades financeiras e pedir dinheiro”, relata.
Ela observa que mudanças de comportamento podem ser sinais de alerta. “O idoso começa a se isolar, passa muito tempo no celular e evita que familiares tenham acesso ao aparelho. Isso merece atenção”, destaca a delegada.
Apoio familiar
Para a delegada, o papel da família é fundamental na prevenção. “É muito importante que os familiares mantenham um canal de comunicação aberto. Muitos idosos não contam que sofreram um golpe porque têm medo de repreensão”, diz Caroline Batista.
Ela alerta que o silêncio favorece novos crimes. “Já atendemos casos em que a pessoa foi vítima uma, duas vezes, porque não pediu ajuda.”
Denúncia
Caroline Batista orienta sobre os passos para prevenir o golpe. “Ao perceber uma tentativa de golpe, o ideal é encerrar a ligação, bloquear o contato e procurar uma delegacia.”
Segundo a delegada, o registro pode ser feito em qualquer unidade policial. “Não precisa ser necessariamente na Delegacia de Proteção à Pessoa Idosa. A Polícia Civil faz o encaminhamento adequado”, afirma.
Quando há prejuízo financeiro, a vítima deve levar documentos. “É importante registrar o boletim de ocorrência e apresentar extratos bancários que comprovem a saída dos valores ou a contratação do empréstimo”, declara Caroline Batista.
Mesmo quando o golpe não se concretiza, o registro é recomendado. “Isso ajuda a identificar criminosos reincidentes e pode auxiliar em outras investigações”, finaliza a delegada.
Como evitar
Desconfie se alguém:
Prometer revisão de benefício, dinheiro atrasado ou desbloqueio de pagamento
Pedir dados pessoais ou bancários por telefone, WhatsApp ou redes sociais
Solicitar fotos de documentos ou reconhecimento facial
Oferecer empréstimos com vantagens irreais
Nunca faça:
Compartilhar senhas, fotos de documentos ou dados bancários
Aceitar ajuda de desconhecidos fora de agências bancárias
Permitir que estranhos mexam no seu celular
Faça sempre:
Consulte regularmente o aplicativo Meu INSS
Converse com um familiar de confiança antes de qualquer decisão
Bloqueie contatos suspeitos
Registre boletim de ocorrência ao suspeitar ou sofrer um golpe
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