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Educação lidera transformação de apenados no sistema penitenciário paraense

Projetos de educação e trabalho tem possibilitado mudar a realidade de custodiados em 48 unidades

O Liberal

A educação tem transformado a vida de vários pessoas no sistema penitenciário paraense. O custodiado Igor Silva, 37 anos, acredita na educação como um instrumento real de mudança. Dentro do cárcere, ele já participou de iniciativas de reinserção social, promovidas pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), para concluir os Ensinos Fundamental e Médio, e iniciar a preparação para ingressar no Ensino Superior.

“Através da leitura e do conhecimento, comecei a mudar a minha perspectiva de vida. Quando minha família e amigos viram que eu verdadeiramente buscava essa transformação, voltamos a ter uma boa convivência e me deram apoio. Mesmo há muito tempo preso, estou conseguindo, dia após dia, ser alguém melhor através do estudo. Isso me dá forças para continuar e ter novas oportunidades”, conta.

Entre os projetos desenvolvidos dentro do sistema prisional do Pará que promovem qualificação, escolarização, reinserção social de detentos e a redução de índices de reincidência criminal no Estado, estão: remição de pena pela leitura; “Projetar o Futuro”; Educação de Jovens e Adultos (EJA); cursos profissionalizantes; Educação à Distância (EAD); coral; ginástica laboral para a terceira idade; e alfabetização. As atividades estão presentes em 48 unidades prisionais distribuídas pelas doze regiões de integração do Estado, alcançando 23 municípios paraenses.

“Contamos com um grande número de pessoas privadas de liberdade inseridas em iniciativas educacionais. Hoje, por exemplo, estamos com quase três mil custodiados participando da remição de pena pela leitura em quase todas as casas penais. Também houve um grande avanço no Encceja e no Enem, que reforçam a nossa crença de que, por meio da educação, realmente é possível ressocializar esses apenados para que retornem ao convívio da sociedade”, reforça a coordenadora do projeto de educação prisional da Seap, Patrícia Santos.

Em 2025, 12.898 pessoas privadas de liberdade participaram de atividades educacionais no sistema prisional paraense. O custodiado Antônio Lima participou de oficinas do projeto de marcenaria, que conta, atualmente, cerca de 100 pessoas privadas de liberdade participando das atividades. Desde a implantação do projeto, aproximadamente mil custodiados já passaram pela iniciativa.

As oficinas produzem móveis em geral e peças de artesanato, atendendo demandas de diversos órgãos públicos. Desde a criação do projeto, estima-se que cerca de 100 internos tenham sido encaminhados para oportunidades de trabalho externas por meio da iniciativa. “Essa experiência representa uma grande oportunidade de aprendizado e de construção de novas perspectivas para a minha vida. Além de adquirir conhecimentos e desenvolver novas habilidades, acredito que ela contribui para o meu crescimento pessoal e para a preparação do meu futuro. Também pretendo atuar nessa área quando eu sair do cárcere”, diz.

A egressa H.A, 47 anos, durante o período em cárcere, participou do curso de soldador, promovido pela Seap, e hoje, após o cumprimento da pena, conquistou um trabalho de carteira assinada. “Com apoio da instituição que me acolheu no momento mais difícil da minha vida, estou empregada, levantei a cabeça de novo. Com a força de Deus, estou me reerguendo. Só gratidão a todos, especialmente, pela oportunidade de trabalhar e de reconstruir a vida”, finaliza.

Arte - A Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe) é apontada pela Seap como a primeira e única cooperativa em funcionamento dentro de uma unidade prisional no Brasil. Ela funciona na Unidade de Custódia e Reinserção Feminina (UCRF), em Ananindeua, e é considerada um dos principais projetos de reinserção social desenvolvidos pela secretaria.

A iniciativa atua na qualificação profissional, geração de renda e ressocialização de mulheres privadas de liberdade, com a produção de peças nas áreas de artesanato, moda e costura. Reconhecida nacionalmente como referência em cooperativismo social, a Coostafe contribui para a construção de novas oportunidades de autonomia e reintegração à sociedade.