Corpo de motociclista por app é enterrado em cemitério particular de Marituba
Matheus Ferreira da Rocha estava desaparecido desde o dia 22 de abril. O corpo foi localizado no início da noite de domingo (3).
O corpo do motociclista por aplicativo e barbeiro Matheus Ferreira da Rocha, de 22 anos, foi sepultado na tarde desta segunda-feira (4), em um cemitério particular de Marituba, na Região Metropolitana de Belém.
O jovem havia sido encontrado morto e enterrado em cova rasa, no domingo (3), em uma área de mata na Estrada do Ariri, no bairro 40 Horas, em Ananindeua. De acordo com os peritos da Polícia Científica do Pará (PCIPA), a vítima apresentava, pelo menos, oito perfurações por arma de fogo.
O corpo de Matheus foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) por volta das 14h50 desta segunda-feira (4) e seguiu em cortejo até o local do sepultamento. Motociclistas acompanharam o trajeto entre Belém e Marituba, em uma mobilização que simbolizou solidariedade à família e amigos, além de um pedido por justiça.
“A gente não conhecia o Matheus pessoalmente. Mas temos alguns familiares dele no nosso grupo e, por isso, ficamos sensibilizados, começamos a fazer buscas. Fizemos buscas com nossos conhecidos. Mas, infelizmente, recebemos essa triste notícia e hoje estamos aqui, a pedido dos nossos companheiros de pista, e também porque nós somos seres humanos e se tratava de um rapaz da mesma categoria, que é de motociclistas”, afirmou o motociclista Raelson Rodrigues, de 40 anos.
Ele também destacou o sentimento de dor e a expectativa por justiça. “Pelo tempo que ele já estava desaparecido, já não se esperava uma boa notícia. Mas a família sempre tem uma esperança. A gente espera que a polícia consiga chegar até quem fez isso com ele, porque hoje foi ele, mas amanhã pode ser qualquer pessoa. Eu tenho uma filha de 20 anos e eu sinto como se fosse um pedaço de mim também. Sentimos a dor da mãe. E é tudo muito triste”, acrescentou.
"Mataram a minha descendência”, diz mãe de Matheus
Durante o sepultamento de Matheus Ferreira da Rocha a mãe dele, Isis Ferreira, estava bastante emocionada e fez um desabafo público. Ela agradeceu a mobilização de familiares, amigos e da população que ajudou nas buscas pelo filho, que estava desaparecido desde o dia 22 de abril. “Obrigada a todo mundo que esteve junto comigo. O meu filho não vai ficar desaparecido. Ele não vai ser enterrado como indigente. Obrigada ao pessoal da internet, à reportagem [imprensa], aos meus amigos, que são minha segunda família. Eu orei para Deus e pedi que me trouxesse ele de qualquer jeito. E Ele trouxe o meu filho para mim desse jeito. Mataram a minha descendência”, declarou.
Relembre o caso
Matheus estava desaparecido desde o dia 22 de abril, após sair para trabalhar com corridas por aplicativo. Segundo a família, o último contato ocorreu enquanto ele aguardava a chuva passar em frente a uma pizzaria localizada na rodovia Mário Covas, no bairro do Coqueiro, em Belém. Em seguida, informou que buscaria uma passageira no bairro Parque Verde antes de retornar para casa, o que não aconteceu, segundo a família da vítima.
Câmeras de segurança registraram os últimos momentos do jovem no local. As imagens mostram que ele estacionou a motocicleta às 20h35 e permaneceu debaixo de uma cobertura, esperando a chuva passar. Pouco depois, outro motociclista também parou no mesmo ponto. Matheus aparece mexendo no celular e, em seguida, vai até um estabelecimento próximo, onde entra e sai rapidamente.
O outro motociclista também entrou no local e, ao retornar, ofereceu a Matheus um objeto que aparentava ser um cigarro. O jovem aceitou, acendeu e passou a fumar. Às 20h45, o outro motociclista deixou o local. Cinco minutos depois, às 20h50, Matheus também saiu, sendo esse o último registro dele.
O desaparecimento foi comunicado à polícia, que iniciou as buscas com apoio de um cão farejador. No sábado (2), os agentes localizaram um dos lados do sapato que Matheus usava quando desapareceu, no mesmo local onde o corpo foi encontrado no dia seguinte.
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