Casos de arrombamento a casas diminuem 22% no primeiro trimestre de 2026; veja dicas de proteção
Moradores têm buscado alternativas para reforçar a segurança.
Casos de arrombamento a residências no Pará diminuíram 22,07% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados são baseados no levantamento da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), que apontam que entre janeiro e março deste ano foram registradas 1.596 ocorrências. Já no mesmo intervalo de 2025, o número chegou a 2.048 crimes computados. Apesar da redução, moradores têm buscado alternativas para reforçar a segurança. O uso de equipamentos como câmeras de monitoramento, cercas elétricas ou de arame e grades tem se tornado mais frequente. Paulo Vitor Freitas, representante de uma empresa de segurança, faz orientações práticas sobre equipamentos e cuidados que fazem diferença na rotina dos moradores.
Em números absolutos, os registros de arrombamentos somaram 7.593 casos em 2024 e 8.027 ocorrências em 2025 no Pará, segundo a Segup. No mesmo contexto de crimes patrimoniais, o estado contabilizou 82.170 casos de furto em 2025, uma redução de 2,48% em relação a 2024, quando houve 84.037 registros. Já no período de janeiro a março de 2026, foram denunciados 17.820 casos, o que representa queda de 14,54% na comparação com o mesmo intervalo de 2025, que teve 20.853 ocorrências.
Em relação aos roubos, foram computados 29.719 casos em 2025, número 16,77% menor que o registrado em 2024, que somou 35.706 ocorrências. No primeiro trimestre de 2026, houve 5.746 registros, uma redução de 28,51% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 8.037 casos de roubo.
De acordo com a Polícia Civil, as ações de combate a esses crimes são constantes no Pará. “No período de janeiro a março de 2024, 2025 e 2026 foram contabilizadas 733, 779 e 641 prisões por furto no Pará, respectivamente. Em relação a prisões por roubo no mesmo período de 2024, 2025 e 2026, foram contabilizadas 479, 353 e 271 prisões, respectivamente”, detalhou a PC.
“A Polícia Civil informa que atua de forma contínua no enfrentamento a furtos e roubos, com investigações conduzidas por delegacias, seccionais e unidades especializadas, com apoio de equipes de inteligência. O registro do boletim de ocorrência é fundamental para o início das investigações e definição das medidas cabíveis, além de contribuir para o planejamento de ações de combate à criminalidade. A Polícia Civil também realiza operações em áreas estratégicas para coibir ilícitos e reforçar a segurança”, destacou a PC. A população pode colaborar com informações pelo número 181. O sigilo é garantido.
Arrombamentos
Situações de invasão a residências geram medo e preocupação em muitas pessoas. No bairro do Reduto, em Belém, o personal trainer e professor de educação física Bruce Monteiro Holanda Gomes conta que a casa da família foi alvo de um criminoso após já haver registros semelhantes na vizinhança.
“A nossa rua já tinha tido vários casos ao longo dos últimos anos, praticamente todas as casas já tinham sido alvo, menos a nossa. Já tinha ocorrido um arrombamento antes, mas dessa vez foi diferente. O homem subiu pela grade da nossa janela, que é relativamente baixa, conseguiu acessar o telhado e entrou pelo quintal”, relatou.
“Ele arrombou a grade do quintal e entrou enquanto todo mundo dormia. Meu pai estava na sala, e mesmo assim ele passou por baixo da rede, tentou pegar a chave do carro, mas não conseguiu abrir a porta. Acabou levando o celular e a carteira. Depois, ainda usaram o cartão em compras por aproximação em alguns estabelecimentos próximos”, contou.
Após o ocorrido, Bruce disse que a família passou a adotar novas medidas de segurança. “Instalamos uma cerca elétrica e concertina. Eu pesquisei com algumas empresas até achar um custo-benefício melhor, e foi uma decisão imediata, porque a nossa era praticamente a única casa da rua que não tinha esse tipo de proteção”, afirmou.
“Mesmo depois disso, teve um episódio durante o dia em que um rapaz avisou que viu alguém subindo de novo na nossa grade, olhando para o quintal. A partir daí, a gente passou a deixar a cerca ligada o tempo todo e decidiu instalar câmeras também, para conseguir monitorar melhor”, acrescentou.
Mudanças na rotina
Bruce também destacou mudanças na rotina da família após o caso. Segundo ele, os cuidados com o fechamento da casa foram reforçados, principalmente à noite ou quando não há ninguém no imóvel.
“O que mais mudou foi a forma como a gente tranca a casa. Hoje evitamos qualquer brecha. A sensação de segurança nunca é total, mas quanto mais difícil a gente torna o acesso, mais a pessoa pensa duas vezes antes de tentar entrar. A gente percebe que agora está bem mais difícil do que antes”, disse.
Insegurança
A dona de casa Maria do Socorro Monteiro Holanda, mãe de Bruce, também relatou a sensação de insegurança. “Até durante o dia isso acontece. Ele sobe na grade para olhar o telhado e ver como pode entrar à noite. Aqui é uma rua movimentada durante o dia, mas à noite fica mais vazia. Moramos aqui há mais de 40 anos e já houve outras tentativas”, contou.
“Depois do furto, colocamos essas estruturas atrás da casa e conversamos com os vizinhos. A maioria já tinha algum tipo de proteção. Quem não tinha acabou colocando também, porque havia o risco de o acesso ser feito por uma casa e o criminoso pular para outra”, afirmou.
Ela acredita que o mesmo suspeito possa estar envolvido em diferentes ocorrências na região, já que a forma de ação é semelhante. “Ele observa antes. A gente acredita que ele já tinha visto onde dava para entrar. Aqui ele mexeu em tudo, pegou objetos, espalhou coisas pela casa, e ninguém percebeu na hora. Isso é o que mais assusta”, desabafou.
Mesmo com as mudanças, ela disse que não se sente segura. “Sinceramente, eu preferia morar em apartamento, porque acredito que a segurança seja maior. Aqui a gente faz o que pode, reforça, instala equipamento, mas ainda assim fica com medo”, disse Maria do Socorro.
Orientações
Para reduzir riscos e reforçar a proteção das residências, o representante de uma empresa de segurança, Paulo Vitor Freitas destaca que criminosos costumam agir a partir da identificação de vulnerabilidades.
“A principal forma de invasão hoje é quando o criminoso percebe a fragilidade. Ele não quer dificuldade, quer facilidade. Então, o que ele identifica como ponto vulnerável é por onde ele vai tentar entrar. Muitas vezes, a falta de algum tipo de proteção ou sinalização já indica essa possibilidade”, explicou.
Ele ressalta que um dos erros mais comuns cometidos por moradores está na escolha dos serviços de segurança. Segundo ele, muitas pessoas priorizam apenas o preço e deixam de observar fatores essenciais.
“Muita gente ainda escolhe apenas pelo preço e não procura conhecer a estrutura da empresa, se tem suporte técnico, monitoramento ou resposta rápida em caso de falha. Segurança não é só o equipamento instalado, é todo o suporte por trás disso. Existe uma diferença entre preço e valor, e isso precisa ser considerado. Hoje, nós temos em torno de umas 6 mil residências particulares que estão em atuação de proteção com a Máxima.”, afirmou.
Dicas
Sobre medidas mais acessíveis, Paulo Vitor destaca que hábitos simples ainda fazem diferença no dia a dia, principalmente para quem não dispõe de sistemas eletrônicos.
“Se a pessoa vai viajar, é importante verificar portas, janelas, telhado, deixar tudo bem fechado. Se possível, deixar uma chave com alguém de confiança para fazer visitas em dias e horários diferentes, porque o criminoso observa a rotina. Ele quer previsibilidade. Quanto mais previsível for a casa, maior o risco”, disse.
“Outra coisa é evitar deixar a residência com aparência de abandono. Às vezes, uma luz acesa já ajuda, mas o principal é evitar brechas. Hoje a gente vê muitos casos de invasão pelo telhado ou pelo forro, então isso também precisa ser observado”, acrescentou.
Ele também chamou atenção para furtos que têm se tornado mais frequentes fora do interior das casas, como o roubo de materiais de ar-condicionado. “Tem crescido muito o furto de cabos de cobre de ar-condicionado. Muitas vezes, o prejuízo começa do lado de fora da casa. Então é importante também observar essas áreas externas”, destacou.
Em relação aos equipamentos, Paulo Vitor afirma que estruturas físicas como muros e cercas ajudam a dificultar a ação criminosa. “O muro alto impede a visualização do interior da casa, e isso já faz diferença. A cerca elétrica e a concertina também são eficazes porque criam uma barreira física. O criminoso não sabe o que vai encontrar lá dentro, então isso aumenta o risco para ele e pode fazer com que desista”, explicou.
Ele também aponta que sistemas como alarmes e sensores ampliam a proteção ao permitir a identificação de movimentos. “O alarme tem outra função. Ele detecta movimento, seja em área externa ou interna. Se alguém passar, ele dispara e gera um alerta. Isso permite identificar onde está a movimentação dentro da casa e agir mais rápido”, disse Paulo Vitor.
Além dos equipamentos, ele reforça que mudanças de comportamento também são fundamentais para reduzir riscos. “O criminoso busca o menor risco possível. Então, evitar rotina muito previsível, não sair sempre nos mesmos horários e reforçar os cuidados no dia a dia já ajudam bastante. Só o fato de ter algum tipo de proteção já reduz muito a chance de invasão”, afirmou.
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