Cadela resgatada após sofrer zoofilia é morta a tiros em Tucumã
A Polícia Civil pediu a prisão preventiva do suspeito
Uma cadela que havia sobrevivido a um histórico de violência e maus-tratos morreu após ser baleada na última sexta-feira (19), no município de Tucumã, no sul do Pará. O caso é investigado pela Polícia Civil, que já identificou o principal suspeito e solicitou a prisão preventiva dele.
Conhecida como Margarida, a cadela foi atingida por um disparo de arma de fogo após um desentendimento entre cães. De acordo com testemunhas, ela teria se envolvido em uma briga com outro cachorro e, mesmo após o fim do conflito, o tutor do outro animal teria efetuado o disparo que a atingiu.
Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que Margarida corre desesperadamente pela rua logo após ser baleada. Segundo a tutora, a empresária Polyana Arpini, a cadela ainda conseguiu retornar para casa, mas não resistiu aos ferimentos.
"Ela era muito dócil, muito amável. Quando soube da história dela, quis adotá-la. Eu não consigo entender por que fizeram isso", lamentou a tutora.
Histórico de violência
A morte de Margarida ganhou ainda mais repercussão por causa da trajetória do animal. Antes de ser adotada, ela vivia em situação de rua e foi resgatada pela Associação de Proteção aos Animais de Tucumã (Apatuc) após ser vítima de zoofilia.
Segundo a presidente da entidade, Laura Araújo, a cadela já era alimentada por voluntários quando apareceu gravemente ferida.
"Ela apareceu sangrando muito. Levamos ao veterinário e foi confirmado que havia sido vítima de zoofilia. Nós cuidamos dela, tratamos e conseguimos encontrar um lar onde passou a viver cercada de carinho", relatou.
Há cerca de cinco anos, Margarida foi adotada por Polyana, que desde então passou a cuidar do animal.
Investigação
A Polícia Civil informou que imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas permitiram identificar o principal suspeito, que mora na mesma rua da tutora da cadela. A autoridade policial representou pela prisão preventiva do investigado.
O caso é apurado como crime de maus-tratos contra animais. A legislação brasileira prevê pena de reclusão para quem praticar atos de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar cães e gatos.
A morte de Margarida mobilizou moradores de Tucumã e entidades de proteção animal, que pedem a responsabilização do autor do disparo.
"Eu quero justiça", afirmou a tutora. "Esse crime não pode ficar impune", reforçou a presidente da Apatuc.
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