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Advogada avalia que casos de maus-tratos a animais aumentaram consideravelmente no Pará

Laura Santos, integrante da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais (CDDA) da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA), também comentou sobre a morte de uma cadela em Tucumã, no sul do estado

O Liberal

A Polícia Civil procura pelo fazendeiro suspeito de matar a tiros uma cadela conhecida como “Margarida” em Tucumã, no sul do Pará. Laura Santos, integrante da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais (CDDA) da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA), que cuidou de Margarida cerca de seis anos atrás, afirmou, nesta terça-feira (30/6), em conversa com a Redação Integrada de O Liberal, que os casos de maus-tratos a animais estão sendo mais recorrentes no estado.

Santos relembrou a relação que teve com a cadela. “Eu dava alimento para ela, que ficava na frente do escritório onde trabalho. Uns seis anos atrás, a Margarida chegou sangrando muito nas partes íntimas. A levamos ao veterinário e lá chegaram à conclusão de que ela tinha sido vítima de zoofilia”, contou.

Depois disso, a Associação de Proteção aos Animais de Tucumã (Apatuc) resgatou Margarida até que a empresária Polyana Arpini a adotou. No dia 19 deste mês, a cadela foi morta. De acordo com testemunhas, ela teria se envolvido em uma briga com outro cachorro e, mesmo após o fim do conflito, o tutor do outro animal teria efetuado o disparo que a atingiu.

“A Margaria conseguiu voltar para casa sangrando, mas não conseguiram socorrê-la. Na última segunda (22/6), o suspeito se apresentou na delegacia e teve a prisão decretada na sexta (26/6). O caso está em segredo de justiça”, afirmou Laura.

Para a advogada, é notório o aumento nos casos de maus-tratos a animais no estado. “Parece que o Pará é o inferno dos animais. Os maus-tratos de animais são normalizados. Tem animal que passa o dia na coleira e no sol quente, ou cachorro sendo arrastado por corrente em veículo, e é a coisa mais normal do mundo. Ando na rua vendo se tem sacola mexendo, porque é comum achar sacola com filhote de gato”, destacou.

Laura informou que a população pode ajudar denunciando os casos. “As pessoas vão atrás de ONG, mas precisam ir atrás da polícia. Precisa fazer pressão no poder público. Precisa cobrar ações da prefeitura", complementou.

O suspeito de matar Margarida é considerado foragido e, até agora, não foi encontrado. O caso é apurado como crime de maus-tratos contra animais. A Lei 14.064/2020 prevê reclusão de dois a cinco anos e multa para quem praticar atos de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar cães e gatos. A pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorre morte do animal.