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A dor infinita das famílias de pessoas desaparecidas no Pará

Aproximadamente mil pessoas desaparecem por ano no Estado do Pará, segundo dados da Segup

Vito Gemaque

O desaparecimento do bebê José Arthur, na cidade de Eldorado dos Carajás, na região Sudeste do Pará, mobilizou a comunidade local e deixou todos atônitos com o sumiço da criança. O desaparecimento é mais um de aproximadamente 100 casos de pessoas que desaparecem no Estado do Pará todos os meses. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), o número de pessoas desaparecidas no Pará subiu 12% entre os anos 2024 e 2025, de 952 para 1.066 ocorrências. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, 211 casos já foram registrados.

No entanto, a Segup ressalta que os números correspondem aos registros feitos no momento do desaparecimento. Isso significa que nem todas as pessoas continuam desaparecidas, já que muitos casos não são atualizados posteriormente pelos próprios denunciantes junto às autoridades.

A falta de respostas nos casos de pessoas desaparecidas é o que mais angustia e dói para as famílias. A impossibilidade de saber se o seu parente ou amigo está vivo ou morto, e não poder sequer dar um enterro digno deixa as famílias em um eterno luto. Esse é o sentimento da família de Dayane do Carmo Silva e Silva, de 32 anos, que há cinco anos está desaparecida.

Ela nunca mais foi vista desde o dia 3 de junho de 2021 quando saiu de casa para participar de um churrasco com amigos, no bairro da Guanabara, em Parauapebas. Apenas a moto dela foi encontrada abandonada, na zona rural do município, dias depois do sumiço.

“A gente sofre bastante. Ela deixou o filho autista. Ele entrou em depressão. Para nós foi muito difícil. Até hoje a gente sente a dor da perda. A minha mãe, todos os dias, no horário em que ela chegava em casa, chora. Para nós é muito dificultoso. Dizer que superou a dor é da boca pra fora, mas a gente nunca supera. Sempre que toca no assunto, dá aquela angústia no coração, aquela saudade. Tem momentos que tudo a gente lembra dela. A dor é infinita, querendo ou não”, conta a irmã de Dayane, Victória Walesca.

A família diz que nunca mais teve resposta sobre o caso. Há cinco anos sentem a dor da perda e da falta de respostas. O dia 3 de junho é a data mais dolorosa para toda a família.

A mãe dos três filhos desapareceu no dia 3 de junho de 2021. A data é uma das mais dolorosas para a família. “E o mais doloroso ainda é você não poder olhar para os filhos dela e dizer ‘a mãe de vocês está aqui enterrada’. Isso é o mais doloroso”, enfatiza. “Era só isso que a gente queria. A gente não queria justiça, não queria nada. Só queríamos ter o corpo dela, só isso. Ela deixou três filhos”, conta a irmã.

Na época, as suspeitas pelo sumiço da jovem recaíram sobre um casal de amigos. Eles foram as últimas pessoas com quem Dayane teve contato. O casal ligou para a jovem convidando-a para o churrasco. A ligação teria partido de um dos telefones do casal. De acordo com informações da Polícia Civil, o inquérito sobre o caso de Dayane Silva foi concluído e encaminhado para o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA).

PROGRAMA – O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) possui o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID) instituído desde 2019 criado em cooperação para criação e expansão do Sistema Nacional de Localização de Desaparecidos (SINALID).

O programa tem como abrangência todo o território paraense, vinculado à estrutura organizacional do Centro de Apoio Operacional de Políticas Criminais, Execução Penal e Controle Externo da Atividade Policial (CAO Criminal).

O SINALID funciona como um banco de dados nacional e integrado, que concentra todos os registros e notícias acerca de pessoas desaparecidas, óbito ou hospitalização de pessoas sem identificação ou identificadas, mas de paradeiro duvidoso, e vítimas de tráfico de seres humanos, auxilia nas investigações policiais, direciona informações para localizar e identificar pessoas desaparecidas e reduz as hipóteses de busca.

Para realizar o cadastro de pessoa desaparecida no sistema do Ministério Público, as pessoas devem preencher o Formulário de Cadastramento de Pessoa Desaparecida, válido somente após o registro da ocorrência policial, disponível no site (https://www2.mppa.mp.br/plid), detalhando características relevantes do indivíduo, tais como: cor de pele, cor dos olhos e tatuagem, além de anexar fotos e documentos, se houver.

Os interessados podem fazer a comunicação de pessoa desaparecida também pelo endereço eletrônico plidpara@mppa.mp.br ou pelos telefones (91) 4006-3726 e (91) 4006-3604 WhatsApp.

Atualmente, o sistema cruza dados de diversas instituições públicas, como DETRAN-PA, Polícia Civil-PA, Polícia Federal, Policia Militar-PA, Polícia Científica do Pará, Secretaria Estadual de Saúde, entre outras.