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'FRETE'

VÍDEO: cortejo fúnebre com música e fogos viraliza e revela tradição no interior do Pará

Tradição centenária conhecida como “frete” percorre cerca de 5 km até cemitério e chama atenção nas redes sociais

Hannah Franco

1 de março de 2026 às 18:17

( Foto: Instagram/@pavulagem_paraense_ )

Um cortejo fúnebre realizado na vila de São João do Abade, em Curuçá, no nordeste do Pará, viralizou nas redes sociais nos últimos dias. O motivo é a forma como familiares e amigos se despedem dos entes queridos: com música, fogos de artifício e bebida, em um ritual conhecido como “frete”.

Vídeos que circulam na internet mostram o caixão sendo levado pelas ruas da comunidade enquanto moradores caminham cantando e soltando fogos. O trajeto segue até o Cemitério São Bonifácio, no centro do município, em um percurso de aproximadamente 4,5 a 5 quilômetros.

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Segundo o criador de conteúdo Alexandre Nascimento, conhecido como Pavulagem Paraense, a prática não celebra a morte, mas a vida de quem partiu. Ele publicou registros de um dos cortejos, o que contribuiu para a viralização do ritual.

De acordo com ele, a tradição é centenária, com mais de 200 anos de existência. O nome “frete”, no entanto, passou a ser utilizado há cerca de 25 anos. No passado, a despedida ocorria por necessidade: não havia acesso a carros funerários, funerárias estruturadas ou meios de transporte para conduzir os corpos.

O caixão era confeccionado por amigos e familiares, geralmente com tábuas de marupá e carregado manualmente até o cemitério. Desde então, o percurso a pé permaneceu como parte da tradição.

Durante o trajeto, moradores se revezam para carregar o caixão. Nas imagens divulgadas, é possível ver amigos e familiares cantando, bebendo, jogando cerveja sobre o caixão, soltando fogos de artifício e, ao mesmo tempo, demonstrando emoção.

Segundo Alexandre, o momento no cemitério é diferente. A despedida final ocorre de forma reservada, restrita à família. Ele reforça que o “frete” faz parte da identidade cultural da cidade e representa uma maneira própria da comunidade lidar com o luto.

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