Pará registra redução de mais de 60% nos focos de queimadas em julho e agosto
Ações de prevenção, monitoramento e atuação das brigadas integram estratégia para enfrentar o período mais crítico do ano
O Pará registrou redução no número de focos de queimadas nos meses de julho e agosto de 2026, na comparação com as médias históricas de cada mês, calculadas a partir da série de 1999 a 2025. Em julho, foram identificados 640 focos no Estado, uma queda de 69% em relação à média histórica de 2.065 registros. Em agosto, foram 3.962 focos, redução de 61% diante da média histórica de 10.178. Os registros de recuo ocorreram em período do ano que tradicionalmente lista os meses mais críticos para queimadas e incêndios florestais no Pará - e que este ano também está sob influência do fenômeno El Niño.
O resultado dos dois meses ganha relevância também por ocorrer em uma época do ano que exige maior atenção. De julho a dezembro, período de menor ocorrência de chuvas no Pará, concentram-se, em média, 97% dos focos de incêndio registrados anualmente. Julho, agosto e setembro formam o trimestre mais seco, principalmente nas regiões Sudeste e Sudoeste paraenses, onde há locais que podem passar cerca de 30 dias sem registro de chuva.
O cenário exige atenção ainda maior em anos de El Niño. O fenômeno climático altera o regime de chuvas e pode provocar períodos mais prolongados de estiagem, deixando o solo e a vegetação mais secos e, consequentemente, aumentando as condições favoráveis à propagação do fogo. Em caráter preventivo, o Governo do Estado já publicou o Decreto Estadual nº 5.606, de 24 de agosto de 2026, que declarou situação de alerta climático e ambiental em todo o Pará, por 180 dias.
As previsões deste ano apontam para risco de redução das chuvas, prolongamento da estiagem e da seca, diminuição da disponibilidade de água, aumento das temperaturas e maior possibilidade de ocorrência de incêndios florestais, além de impactos sobre a qualidade do ar e as atividades produtivas. Diante da perspectiva de intensificação dessas condições nos próximos meses, o Governo do Estado já vem adotando diversas medidas antecipadas de prevenção, preparação e resposta para reduzir os impactos sobre a população, os municípios, a agricultura familiar e os recursos naturais.
Para Antonio Sousa, coordenador de Monitoramento Climático, Hidrometeorológico e Qualidade do Ar, os resultados registrados no início do período mais seco reforçam a importância da prevenção. “O mês de agosto está entre os meses mais críticos para a ocorrência de queimadas e incêndios florestais no Pará, porque temos menos chuva, temperaturas elevadas e vegetação mais seca. Em anos de El Niño, essas condições podem ser ainda mais intensas. Por isso, registrar uma redução de 61% em relação à média histórica do mês reforça a necessidade de mantermos as ações de prevenção, monitoramento e de resposta rápida durante todo o período de estiagem”, destaca Antonio.
Prevenção e atuação nos territórios
O fortalecimento dessas ações estaduais se intensificou a partir da criação do Programa Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais (PEPIF), instituído em 2025 e coordenado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas). O programa reúne ações de planejamento, monitoramento, prevenção e enfrentamento aos incêndios florestais e promove a articulação entre diferentes instituições por meio do Centro Estadual Integrado Multiagência de Coordenação Técnica e Operacional do Pará (Ciman-Pará).
Uma das bases do PEPIF é o Manejo Integrado do Fogo (MIF), que reúne medidas de prevenção, preparação, monitoramento e resposta rápida. O programa também atua de forma integrada com o Corpo de Bombeiros Militar do Pará (CBMPA).
A presença das brigadas nos territórios foi ampliada desde a implantação do programa. Em 2025, o PEPIF começou com quatro brigadas e 24 brigadistas. Em 2026, são 11 brigadas e 115 brigadistas atuantes, ampliando a capacidade operacional do Estado durante o período de maior risco.
Para Yasmim Ramos, coordenadora da Coordenadoria de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais (CEPIF) da Semas, os resultados reforçam a importância de manter as equipes mobilizadas nos territórios. “Os números de 2026 demonstram que é fundamental mantermos as brigadas atuando em campo. Esses resultados refletem o fortalecimento das ações de prevenção e combate aos incêndios florestais que vêm sendo desenvolvidas no Estado”, afirma.
A coordenadora ressalta, ainda, que a queda nos registros não significa que o período de risco tenha terminado. “A redução dos focos não significa que o risco tenha acabado. Ainda estamos em um período crítico, com condições climáticas que podem favorecer a ocorrência e a propagação de incêndios florestais. Por isso, nosso objetivo é avançar ainda mais na redução desses números, mantendo e fortalecendo as equipes em campo, tanto para uma resposta rápida às ocorrências quanto para intensificar as ações preventivas nos territórios”, acrescenta Yasmim.
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