Organismos não identificados são encontrados na água da comunidade Rio Pindobal Miri, em Cametá
Vídeo publicado nas redes sociais mostra a superfície da água do rio tomada por pequenos organismos, que também são vistos nas folhas das árvores da margem
Moradores da comunidade ribeirinha de Rio Pindobal Miri, no município de Cametá, nordeste do Pará, estão preocupados com o aparecimento de organismos ainda não identificados na água utilizada pela população. Um vídeo publicado nas redes sociais do perfil “Os Ribeirinhos” mostra a superfície da água do rio tomada por pequenos organismos, que também são vistos nas folhas das árvores da margem.
“Está cheio de bichos, não sabemos de onde estão vindo. Está prejudicando a nossa natureza, porque esse bicho espanta os peixes e o próprio camarão. Queríamos que viesse alguém para fazer um estudo do que está acontecendo na nossa localidade”, diz uma moradora no vídeo publicado.
VEJA MAIS
Segundo Kelli Garboza, mestre e doutora em Biologia Ambiental pela Universidade Federal do Pará, professora adjunta da UFPA Campus Tocantins/Cametá e coordenadora do Laboratório de Biologia, o aparecimento de qualquer organismo em grande quantidade pode indicar uma alteração nas condições físicas ou químicas da água, mas não necessariamente um efeito prejudicial à saúde humana e ao ecossistema.
Ela pontua que é difícil identificar os organismos apenas pelo vídeo, o que dificulta afirmar quais fatores naturais ou provocados favorecem esse fenômeno. “Pode ser apenas uma proliferação [multiplicação rápida e excessiva] de uma espécie já existente, em função do excesso de nutrientes, de dias muito ensolarados, da falta de chuvas”, diz a professora da UFPA.
“É necessária a coleta de amostras da água para a identificação correta desse organismo, a fim de verificar possíveis riscos à saúde humana e aos demais organismos aquáticos e propor estratégias cotidianas de cuidado no contato com esse organismo, caso a situação persista”, avalia a bióloga.
Ao se deparar com qualquer organismo aquático desconhecido, a bióloga recomenda evitar nadar no local onde há a proliferação, não tomar banho, não pescar e não usar a água para fins domésticos até que se saiba qual é a espécie e se ela é nativa ou invasora.
A professora explica que a própria população pode coletar amostras para análise no campus Campus Tocantins/Cametá da UFPA. Confira o passo a passo a seguir:
Como coletar amostras de água?
Separe um frasco que não tenha resíduos, e que tenha sido utilizado apenas para armazenamento de álcool ou água mineral;
Encha o frasco com a água com os organismos;
Leve imediatamente ao laboratório da UFPA para análise.
Fonte: professora e bióloga Kelli Garboza, do Campus Universitário Tocantins/Cametá da UFPA
Onde entregar?
As amostras de água, coletadas conforme a orientação da professora Kelli, devem ser entregues pela população no Laboratório de Biologia do campus Cametá. Elas devem ser entregues ao vigia da unidade e endereçadas à professora Kelli Garboza, coordenadora do Laboratório de Biologia.
Endereço
Campus Universitário do Tocantins/Cametá
Prédio de Salas de Aula e Laboratórios (térreo)
Trav. Pe. Antônio Franco, 2617 - Bairro da Matinha
CEP 68400-000, Cametá, Pará
Prefeitura de Cametá
A reportagem solicitou posicionamento à Prefeitura de Cametá sobre os organismos encontrados na água. Segundo Lucas Fernandes, secretário da Secretaria de Meio Ambiente (SEMMA) de Cametá, a pasta não recebeu denúncia formal do ocorrido na comunidade de Rio Pindobal Miri.
“Será realizada uma visita técnica com as Secretarias de Meio Ambiente de Cametá, Igarapé Miri, Acará e Abaité, ainda não sabemos do que se trata. Vamos pedir apoio à UFPA e à Uepa do polo de Cametá”, afirma o secretário. Ele destaca que haverá uma visita à comunidade ribeirinha na tarde desta quarta-feira (23).
A população pode entrar em contato com a SEMMA de Cametá para denúncias envolvendo o meio ambiente através do e-mail cametasemma@gmail.com e também pelo WhatsApp: +55 91 99195-4359.
*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA