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CIDADANIA

Intolerância religiosa com Anitta reacende debate acerca do crime em Belém

Babalorixá acredita que a união das casas e cumprimento da Lei nº 14.532, que assegura a liberdade religiosa, consigam reverter a discriminação. MDHC indica que quantidade de denúncias de intolerância religiosa no Pará em 2024 é igual ao registrado em 2023

Eduardo Rocha

14 de maio de 2024 às 21:40

O caso da cantora Anitta, que perdeu mais de 200 mil seguidores no Instagram por ter lançado um novo trabalho em homenagem ao candomblé, religião de que a artista é adepta, traz à tona situações de racimo religioso também enfrentado por lideranças de religiões de matriz africana e origem indígena em Belém. "No final de 2023, quando inauguramos a estátua de Iemanjá na frente do terreiro (Rei Sebastião e Toya Jarina, na avenida Augusto Montenegro, no bairro Mangueirão, com 65 anos de funcionamento), sofremos críticas, pessoas questionaram a iniciativa", destaca o babalorixá Elivaldo de Oxalá, da Umbanda e Tambor de Mina. Nos primeiros meses de 2024, o Disque 100 do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) registra 9 denúncias de intolerância religiosa, quantidade verificada no ano de 2023, indicando o crescimento dessa prática no estado.

Pai Elivaldo conta que o racismo religioso vem desde o começo da história do Brasil, pelo fato de que os colonizadores queriam impor a religião deles aos cidadãos negros escravizados. Desse modo, nos terreiros, os negros tinham imagens de santos da Igreja Católica, mas não abriam mão dos orixás.

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Tanto que, até hoje, muitas casas de religiões de matriz africana, como o terreiro administrado por Pai Elivaldo, possuem imagens de santos e de orixás, muitas vezes guardadas. "Para mudar o cenário em que terreiros sofrem violência, como registrado recentemente em Mosqueiro, é preciso a união das casas e que a lei (Lei nº 14.532) seja cumprida", enfatiza o babalorixá.

Babalorixá Elivaldo de Oxalá mostra imagens de orixás perto das de santos no terreiro, no bairro do Mangueirão, em Belém (PA)
Babalorixá Elivaldo de Oxalá mostra imagens de orixás perto das de santos no terreiro, no bairro do Mangueirão, em Belém (PA) (Foto: Wagner Santana / O Liberal)

Intolerância

Levantamento do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) indica que o Brasil teve 940 denúncias de intolerância religiosa em 2023 e, em 2024, até 14 de maio, 512 denúncias. O Pará teve 9 denúncias em 2023, abrangendo abril (1), maio (1), outubro (1) e novembro (6). Em 2024, são 9 denúncias no Pará: janeiro (3), fevereiro (2) e março (4). O total de denúncias até março de 2024 no estado iguala-se ao verificado em 2023.

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Medidas

Para garantir os direitos socioterritoriais das comunidades quilombolas e dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (Potmas), assim como no combate e punição à violação desses direitos, o Ministério Público Federal (MPF) adota medidas estratégicas, como  
pontos de denúncias, encaminhamento e tomada de providências, por meio das unidades da instituição no Pará e do canal MPF Serviços. Além da elaboração de curso de letramento sobre o tema, por especialistas e lideranças, voltado a servidores públicos e um protocolo de atendimento a essas comunidades para as forças policiais.

Como informa o MPF, a instituição assumiu o compromisso de auxiliar na regularização fundiária dos territórios quilombolas e dos Potmas, por meio da instalação de grupos de trabalho e solicitação de informações, dados e documentos aos órgãos competentes a fim de viabilizar esse processo.