SEX · 02 OUT 2026Assine

DESIDRATAÇÃO

Idosos e crianças necessitam de hidratação redobrada no verão

O período menos chuvoso na Amazônia é marcado por altas temperaturas, que existem cuidados

Lívia Ximenes e Vito Gemaque

26 de junho de 2026 às 08:00

A avó Maria Joelma Freires Pereira, de 49 anos, busca sempre manter os dois netos hidratados.

A avó Maria Joelma Freires Pereira, de 49 anos, busca sempre manter os dois netos hidratados. ( Foto: Thiago Gomes / O Liberal )

O verão amazônico – período chamado de “menos chuvoso” – está chegando e, com ele, as altas temperaturas marcam presença. O calor intenso pode provocar desidratação, caso não haja consumo correto de água, especialmente em idosos e crianças. Conforme dados do DataSus, 40% das internações anuais de pessoas acima de 60 anos são devido à desidratação e cerca de 25% do total correspondem a menores de 5 anos.

VEJA MAIS

Calor na Europa se intensifica e mata mais de 50; crianças e idosos não resistiram à insolação Especialistas apontam que as ondas de calor têm se tornado mais frequentes e intensas na Europa

Prática milenar indiana, Yoga pode auxiliar no equilíbrio físico, emocional e mental A prática é indicada para todas as idades, sendo realizada com adaptações para idosos, gestantes e pessoas com comorbidades

VÍDEO: Moradores de lar de idosos viralizam ao imitar comemorações da Seleção Brasileira A publicação rapidamente chamou a atenção dos internautas e já soma mais de 17 mil visualizações

Idosos têm a composição corporal com 52% a 55% de água e costumam sentir menos sede, de acordo com o médico geriatra Karlo Edson Moreira. “Quando o idoso sente sede, o organismo já está gritando, pedindo água, mais desidratado do que o comum”, explica. Além disso, Karlo afirma que essas pessoas tendem a ter rins com menor capacidade de concentração de urina e que outras doenças, como diabetes, resultam em mais liberação do líquido.

“Esperar que o idoso sinta sede não vai ser um sintoma precoce, já vai ser um sintoma tardio”, alerta o geriatra. Karlo destaca que os sinais apresentados por jovens adultos, que tendem a ser comuns, são tidos como graves para pessoas acima de 60 anos. “Fraqueza, tontura, dor de cabeça, esses sintomas já podem ser indícios”, fala sobre o começo da desidratação.

O professor aposentado Rubens Silva, de 73 anos, tem muito cuidado com a desidratação. A informação foi fundamental para ele se precaver dos problemas. “A internet hoje fornece muitas informações para a gente. Eu fiz durante a minha vida muitas coisas erradas. Hoje, eu tenho informação graças à internet. A primeira atitude que tenho quando acordo de manhã cedo é tomar água, eu tomo 600 ml de água”, contou.

O professor aposentado Rubens Silva tem o consumo de água como hábito
O professor aposentado Rubens Silva tem o consumo de água como hábito (Thiago Gomes / O Liberal)

Para evitar problemas graves relacionados ao calor, Karlo afirma que idosos precisam estar sempre com garrafas de água, para ingeri-la mesmo sem sede – em um consumo regular e constante. “Ter água disponível e de fácil acesso é uma das boas coisas, boas práticas e bons hábitos que a gente deve adotar”, diz. O médico ressalta que, aqueles que possuem cuidadores ou acompanhantes, precisam desse suporte para a hidratação correta.

Essa é uma orientação que o professor Rubens já segue à risca. “A pessoa idosa não sente sede. Eu tomo água voluntariamente. Mesmo que eu não sinta sede eu tomo água. Eu já senti muita diferença em relação às besteiras que eu fiz no passado”, revelou. Rubens também não consome açúcar, o que previne problemas como a diabetes.

O geriatra Karlo também indica o uso de roupas leves, evitar exposição exagerada ao sol, preferência por locais com sombra e arejados e evitar atividades físicas em ambientes sem refrigeração. “Proteção é sempre bom. Usar filtro evita os efeitos da insolação, da exposição direta ao sol e deve ser estimulado, mas evitar a exposição direta é tão importante quanto o uso do filtro sola. Às vezes, a pessoa se protege contra um câncer de pele, mas, ainda assim, fica muito tempo exposta, muitas horas expostas ao sol e termina ficando desidratado”.

Crianças – Para as crianças, os cuidados também são redobrados. A pediatra Mariena Pedroza explica que os pequenos são mais sensíveis ao calor por alguns motivos. “O corpinho da criança perde mais líquido com mais facilidade por uma imaturidade da sua barreira de proteção, que é a pele, e pelo sistema neurológico, que ainda está em desenvolvimento, responsável por manter o equilíbrio da temperatura corporal”, detalha.

A Sociedade Brasileira de Pediatria aponta que crianças de seis meses a 1 ano precisam consumir de 800 ml a um litro por dia, incluindo leite. Já para as crianças de 1 a 3 anos o consumo de líquido deve ser de 1,3 litro. Os pequenos entre 4 e 8 anos devem consumir aproximadamente 1,7 litro de água e a faixa etária de 9 a 13 anos deve consumir 2,4 litros.

“Os bebes de até seis meses de idade, que estão em aleitamento materno exclusivo não precisam beber água e também não podem ser expostos ao sol, porque nessa idade não temos protetor solar liberado pela Anvisa. Essa tabelinha é uma indicação da Sociedade Brasileira de Pediatria, mas o mais importante é avaliar o volume urinário e a cor dessa urina, porque a necessidade de cada criança é diferente de acordo com o seu metabolismo, conforme a sua idade”, enfatiza a pediatra.

A avó Maria Joelma Freires Pereira, de 49 anos, busca sempre mantes os dois netos Ághata Vitória e Arthur Pietro bem hidratados. Ela que é natural Manaus, elogia os espaços públicos de Belém, como as praças e parques, que propicia ambientes mais abertos e em contato com a natureza para passeios com as crianças.

Avó de Ághata e Arthur, Maria Joelma não sai de casa sem garrafas de água
Avó de Ághata e Arthur, Maria Joelma não sai de casa sem garrafas de água (Thiago Gomes / O Liberal)

“O meu cuidado é sempre manter eles hidratados, sempre estar dando banho e roupas leves. Alimentar com fruta, principalmente melancia ou abacaxi. Eu ponho muita água no congelador. Coco quando eu posso sempre dou. E sempre busco esse contato com a natureza. A gente ficar dentro de casa parece que é mais quente”, revelou. “Eu ando com o meu kit água. Três garrafinhas, sucos, coisas leves para as crianças”, completa.

Há sinais que os responsáveis sempre devem estar atentos para perceber uma possível desidratação nas crianças como a criança ficar muito quieta, urinar muitas vezes ao dia, a cor da urina ser um amarelo mais concentrado, irritabilidade, boca e língua mais ressecadas, e choro sem lágrimas.

Para evitar isso, a pediatra Mariena a ingestão de líquidos. “Ofereça para o seu filho, várias vezes ao dia, com constância. Líquidos saudáveis, como a água é imprescindível, água de coco natural, e suco de fruta natural sem açúcar. Frutas também são importantes, principalmente as ricas em água, como melão, melancia, laranja”, enfatiza a médica.