Escola Imersiva em Sociobioeconomia inicia atividades no Pará
Iniciativa da UFPA reúne pesquisadores de três países para conectar ciência a saberes tradicionais e promover desenvolvimento sustentável na Amazônia
Como uma iniciativa de formação e cooperação universitária transfronteiriça que reúne 15 participantes, entre estudantes e pesquisadores do Brasil, da França e da Guiana Francesa, a Escola Imersiva Internacional em Sociobioeconomia inicia suas atividades em território paraense, tendo a Universidade Federal do Pará (UFPA) como anfitriã e uma das idealizadoras do projeto. Esse grupo é formado por seis estudantes da Université Paris-Est Créteil (UPEC), três da Université de Guyane, três da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e três da UFPA, sendo uma proveniente do Campus Universitário de Altamira e que faz mestrado no Núcleo de Meio Ambiente (Numa).
A Escola é concebida como um espaço de diálogo e aprendizagem recíproca, e o projeto conecta os saberes acadêmicos e científicos às vivências territoriais, tradicionais e comunitárias da Amazônia. A articulação estratégica é viabilizada pela cooperação internacional com a França, contando com financiamento e suporte da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), da Expertise France e do Programa Amabio, além do apoio institucional da Embaixada da França no Brasil e da Maison France UFPA, instalada no campus Guamá.
A programação imersiva integra uma abordagem interdisciplinar dividida entre os polos de Belém e Santarém. Em Belém, os participantes realizaram vivências nos circuitos do centro histórico de Belém, no Mercado do Ver-o-Peso, visitas à Galeria de Arte da UFPA e no Conjunto dos Mercedários. O itinerário inclui ainda deslocamentos territoriais pelas ilhas do entorno de Belém, seguidos da etapa em Santarém, onde a Ufopa articula visitas a cooperativas locais, projetos socioambientais e comunidades da região do Oeste do Pará.
O reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, destacou a relevância de acolher uma iniciativa que alia a produção de conhecimento científico de ponta ao respeito aos saberes originários e tradicionais da região. "A acolhida desses estudantes reafirma o compromisso da UFPA em pensar a sociobioeconomia a partir de dentro da Amazônia, promovendo uma ciência integrada com as comunidades e com o território. Receber jovens pesquisadores franceses, guianenses e brasileiros nos Mercedários e nos nossos centros de pesquisa fortalece laços históricos e projeta a nossa universidade como um ponto focal de diálogo e inovação sustentável global", ressaltou.
A articulação insere-se na estratégia da Pró-Reitoria de Relações Internacionais (Prointer) da UFPA, fortalecendo a participação da universidade no CAPES Global.edu, programa brasileiro de internacionalização que estimula a construção de redes de pesquisa fora do país voltadas aos grandes desafios socioambientais do planeta.
Internacionalização como pilar e legado de gestão
A consolidação de iniciativas transfronteiriças como a Escola Imersiva reflete a inflexão estratégica da atual gestão universitária. Sob a liderança do reitor Gilmar Pereira da Silva, a internacionalização ascendeu ao patamar de grande bandeira institucional, estruturando-se ao lado da histórica diretriz de inclusão e democratização do acesso ao ensino superior.
Para dar suporte a esse movimento, a administração superior fortaleceu a Prointer, multiplicando os acordos de cooperação acadêmica e científica com instituições de diversos continentes. O ápice dessa política de expansão global traduz-se na aprovação da UFPA no edital do programa CAPES Global.edu, que garante a aplicação de R$ 60 milhões nos próximos cinco anos em recursos voltados ao fomento da pós-graduação e da pesquisa de excelência. O aporte recorde garante o financiamento de bolsas de mobilidade acadêmica, missões de trabalho internacionais e projetos colaborativos de alta complexidade, permitindo que pesquisadores da Amazônia liderem redes globais de conhecimento.
"A internacionalização da UFPA no âmbito do CAPES Global.edu não se resume à mobilidade acadêmica tradicional, mas representa uma verdadeira mudança de paradigma. Ao construirmos pontes diretas com instituições de excelência da Europa, Américas e África, estamos colocando a Amazônia não como objeto passivo de estudo, mas como protagonista e sujeito central da pesquisa científica mundial”, afirma o reitor Gilmar.
Ao conectar a riqueza dos saberes tradicionais amazônicos às exigências da pesquisa científica mundial, a UFPA reafirma seu papel de liderança intelectual e social no país. A experiência vivida pelos 19 estudantes ao longo do eixo Belém-Santarém não apenas fortalece a cooperação transfronteiriça com a França e a Guiana Francesa, mas também chancela um modelo universitário onde a inclusão e a projeção internacional caminham juntas para transformar o conhecimento em desenvolvimento sustentável e soberano para a Amazônia.
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