Dia Mundial do Cachorro: adoção de cães idosos proporciona velhice feliz
Cães idosos exigem alguns cuidados especiais, mas também podem se adaptar bem a uma nova família
Celebrado hoje (26), o Dia Mundial do Cachorro chama atenção não apenas para a relação de afeto entre humanos e cães, mas também para a importância da adoção responsável e dos cuidados necessários ao longo de toda a vida dos animais. No caso dos cães idosos, as dificuldades para encontrar uma família se tornam ainda maiores, por conta de estereótipos acerca da idade avançada.
Atualmente com cerca de 15 anos de idade, a cadelinha Bibi viveu dentro do Campus Belém da Universidade Federal do Pará (UFPA) por quase 12 anos, sendo alimentada e monitorada pelo projeto Peludinhos UFPA. Há dois anos, os caminhos da pet idosa e da médica veterinária cardiologista Rafaella Viana se cruzaram. Hoje, Bibi vive em um lar repleto de amor, onde recebe os cuidados necessários e todo o amparo para viver a fase da velhice de forma digna.
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Rafaella realiza atendimentos veterinários gratuitos para o projeto Peludinhos, e conheceu Bibi durante uma consulta. “Ela veio para mim, pois estava apresentando tosses frequentes. Na consulta, realizamos exames e ela foi diagnosticada com uma cardiopatia, onde precisa fazer uso de medicações diárias para controle da doença e qualidade de vida. Me apaixonei por ela e estamos juntas há 2 anos já”, relembra a médica.
É comum pensar que a velhice canina é sinônimo de doenças, alto custo e pouca possibilidade de adaptação. Porém, segundo a médica veterinária Rafaella Viana, nem todo cão idoso terá problemas graves de saúde. Eles exigem alguns cuidados especiais, mas também podem se adaptar bem a uma nova família.
“Existe um aspecto muito bonito nessa adoção: cães idosos também são capazes de criar vínculos profundos e proporcionar uma relação de muito carinho, companhia e gratidão. Adotar um idoso é, muitas vezes, oferecer a ele a oportunidade de viver uma nova fase com segurança e afeto”, enfatiza a médica veterinária. Para ela, a adoção de um animal idoso representa a chance de proporcionar aos cães uma melhor idade digna e um final de vida feliz, acompanhados de uma família que os amará até o último dia.
Cuidados especiais
Antes da adoção de um cão idoso, a pessoa interessada deve conhecer o histórico do animal, realizar uma avaliação veterinária completa e entender necessidades de saúde, alimentação, medicação e rotina, para que a decisão seja consciente e não se baseie somente na idade. “Com o envelhecimento, é natural que o cão apresente redução da disposição, maior necessidade de descanso, alterações na visão e audição, perda de massa muscular e mudanças na mobilidade”, diz Rafaella.
Ela explica que os cachorros também podem ter alterações cognitivas, como desorientação, mudanças no sono e ansiedade, mas que é preciso diferenciar essas mudanças naturais de sinais de doenças que precisam de tratamento. Por isso, a rotina deve ter alguns cuidados especiais, como alimentação adequada, controle de peso, atividade física compatível com a condição do animal, cuidados cardiológicos e odontológicos, além do acompanhamento veterinário periódico
“Mudanças persistentes no apetite, consumo de água, urina, respiração, tosse, cansaço, dificuldade para caminhar, perda de peso, vômitos ou alterações de comportamento devem ser investigadas, especialmente quando surgem de forma repentina”, alerta a veterinária. Entre os cães idosos, as doenças cardíacas, renais, articulares, endócrinas, odontológicas e neoplasias estão entre as mais frequentes, segundo Rafaella Viana.
No entanto, o acompanhamento preventivo permite identificar alterações ainda no início, antes do surgimento de sinais clínicos. Rafaella reforça que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para a prevenção de doenças, preservação da funcionalidade, ganho de qualidade de vida e até mesmo maior longevidade.
Dignidade na velhice
O projeto Peludinhos UFPA, coordenado pela protetora de animais Elizabete Pires, acolhe cerca de 70 animais idosos, acima dos 10 anos de idade. Há uma baia somente com idosos, cuja população atinge mais de 50% dentro do abrigo. “O principal receio em relação a animais mais velhos é o curto período que eles podem passar com a família. Algumas pessoas têm essa consciência de que eles não vão viver por muito tempo, mas mesmo assim não abrem mão dessa convivência, por mínima que seja, e de dar para ele tudo aquilo que ele precisa, dentro do da dignidade que eles merecem”, diz Elizabete Pires.
O medo da morte é um dos principais obstáculos para a adoção de cães idosos, segundo a coordenadora do projeto Peludinhos UFPA. Algumas pessoas, como a médica veterinária Rafaella Viana, têm consciência do tempo reduzido de vida e optam por adotar. Segundo Elizabete, cães em estado terminal já foram adotados por famílias, que desejam que o animal viva da melhor forma possível, mesmo nos últimos dias.
“A adoção de cães idosos é mais uma questão de uma pessoa olhar para o animal, se apaixonar e falar: ‘Eu quero ele’. Recentemente, um casal de idosos adotou um cãozinho idoso que estava doente e conseguiram identificar o tipo de doença. Hoje ele é uma companhia para eles”, compartilha a protetora de animais.
Para a adoção de um cão idoso pelo projeto, o interessado passa por uma entrevista minuciosa, para comprovar que é possível proporcionar a assistência necessária. “Temos um protocolo de adoção responsável, em que as pessoas mandam vídeos pra gente e nos informam com frequência sobre o estado de saúde”, destaca.
“Para o Dia Mundial, espero que as pessoas, sempre que virem um cão na rua desprotegido ou idoso, que elas lembrem que eles são sencientes, que eles têm sentimentos como nós, que eles sofrem, eles sentem frio, sentem sede, sentem calor, que eles precisam de afeto”, pontua.
*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Hamilton Braga, coordenador do Núcleo de Política e Economia
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